ELETROQUIMIOTERAPIA COM BLEOMICINA EM CARPA (CYPRINUS CARPIO) COM SARCOMA DE TECIDOS MOLES: RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Eletroporação, Peixes, OncologiaResumo
A medicina de peixes ornamentais vem crescendo e evoluindo na prática veterinária nos últimos anos. Esse aumento permite o incremento do diagnóstico e possibilidades terapêuticas das neoplasias. Os peixes da espécie Cyprinus carpio incluem as populares variedades ornamentais mais conhecidos como carpas koi (1, 2). O Sarcoma de tecidos moles é uma neoplasia maligna, que tem sua origem a partir de uma célula mesenquimal mutada. Pode acometer músculos, fáscias, tendões, gordura, nervos, vasos sanguíneos e revestimento de articulações (2,3,4). Um indivíduo de Carpa Koi, 10 anos, macho, mantido sob cuidados humanos em lago artificial, apresentou lesão em região dorsal próximo da primeira nadadeira dorsal e região caudal acima da linha lateral, com presença de nódulos e áreas de descontinuidade de tecido, com crescimento rápido tendo evolução em cerca de 30 dias. Foram realizados exames complementares para a avaliação da lesão com ressecção de fragmento para análise histopatológica e hemograma. Na análise histopatológica constatou-se cortes histológicos apresentando massa composta por células fusiformes organizadas em feixes e formas concêntricas. As células possuíam núcleos alongados, cromatina grosseira, nucléolo geralmente único e citoplasma variado. Anisocitose e anisocariose moderadas, com presença de células gigantes mono e multinucleadas. Há 15 figuras de mitose típicas e atípicas em 10 campos de grande aumento. Áreas de hemorragias e por vezes áreas que se assemelham a canais vasculares, com ausência de figuras de mitose em vasos, compatível com sarcoma de tecidos moles, sem possibilidade de caracterização do subtipo histológico. Hemograma dentro dos parâmetros de normalidade para a espécie. De acordo com o diagnóstico e a impossibilidade de ressecção cirúrgica com margem de segurança devido ao grau de acometimento tecidual e localização das lesões, optou-se pela eletroquimioterapia com aplicação intralesional de Bleomicina seguido pela eletroporação (Figura 1). A indução anestésica foi realizada com Propofol aspergido nas brânquias na dose de 3 mg/Kg, morfina (5 mg/Kg IM) e meloxicam (1 mg/Kg IM). Por ser um procedimento rápido (inferior a 15 min) optou-se por não utilizar o propofol na manutenção anestésica. Recuperação anestésica foi satisfatória sem intercorrências. O paciente foi sendo monitorado semanalmente quanto a evolução e característica das lesões. Como não há consenso sobre a utilização da eletroquimioterapia em peixes e raros relatos de utilização da técnica, optou-se pelo monitoramento clínico para decisão de uma nova intervenção. Em 7 dias, foi possível notar regressão das lesões, não houve efeitos colaterais notórios e o paciente com comportamento normal para a espécie (Figura 2). Após 20 dias de procedimento, o paciente veio a óbito por causa decorrente de hipóxia devido a um problema técnico do recinto, que culminou na morte de todos os animais. Mesmo sem a possibilidade de acompanhamento clínico devido ao óbito do animal, foi possível observar que a técnica utilizada foi segura e eficaz, onde não houve efeitos colaterais e foi possível observar regressão das lesões. Mais estudos são necessários para a validação da técnica na espécie e no tipo histológico tumoral, porém o tratamento mostrou-se promissor.
