TRATAMENTO CLÍNICO E RESOLUTIVO DE XANTOMA EM PERIQUITO-AUSTRALIANO (Melopsittacus undulatus) - RELATO DE CASO

Autores

  • Laís Monteiro Studart
  • Darlyane Parente Do Nascimento
  • Edson Quimquim Neto
  • Herlon Victor Rodrigues Silva

Palavras-chave:

Aves, colagenase, óleo de pequi

Resumo

O xantoma é majoritariamente presente em psitaciformes e galináceos, caracterizado por massas amarelas, friáveis e firmes na pele, tendões, tecidos subcutâneos e órgãos internos de aves. Não é considerada uma neoplasia verdadeira, mas sim uma intumescência inflamatória decorrente da concentração de macrófagos carregados de lipídios, células gigantes multinucleadas, fibrose e colesterol livre (1). Sua ocorrência é tipicamente atribuída a hemorragias crônicas e traumas, além de desordens na metabolização de lipoproteínas (2,3). Apesar da excisão cirúrgica ser uma das formas de tratamento mais indicadas, no caso de xantomas muito extensos, remover cirurgicamente não é o mais recomendado, sendo necessária a busca por alternativas mais conservadoras (4). Foi atendido um periquito-australiano (Melopsittacus undulatus) com lesão próxima à cloaca havia mais de seis meses. O paciente alimentava-se de sementes, couve e milho. No exame, observou-se escore corporal elevado, apatia, dispneia, automutilação e massa  cranial à cloaca, ulcerada, de consistência macia, presença de áreas necrosadadas, com apteria, apresentando  sensibilidade dolorosa à palpação (Figura 1). Foram solicitados exames de citologia, além de hemograma, bioquímicos e  exame de imagem, entretanto, apenas a citologia foi realizada, tendo como resultado a confirmação do xantoma. Assim, foi indicado o procedimento de excisão cirúrgica, porém não foi autorizado pelo proprietário, optando-se pelo tratamento clínico, por meio da associação de: meloxicam, dipirona, pomada de colagenase, polivitamínico e dieta exclusiva com ração extrusada. Nos dois primeiros dias foi sugerida limpeza antisséptica com clorexidina antes da aplicação de pomada; posteriormente, a antissepsia passou a ser feita apenas com soro fisiológico. Após 25 dias, suspendeu-se a colagenase e iniciou-se o uso de óleo de pequi até cicatrização. Em um mês pós início do tratamento, no retorno da consulta, constatou-se remissão completa e regeneração total da área lesionada, sendo indicada alta médica (Figura 2). No caso relatado, a alimentação do paciente era predominantemente composta por sementes, caracterizando um alto teor energético, o que possivelmente contribuiu para o desenvolvimento da patologia. O xantoma ocorre em casos de hemorragia precedida de lesão, sendo associado ao excesso de deposição de colesterol e consequente reação inflamatória localizada (4), provocando prurido, irritação e eritema cutâneo nas áreas de automutilação. O diagnóstico é feito a partir de achados citológicos que revelem células espumosas (macrófagos carregados de lipídios) (5). Apesar da excisão cirúrgica ser a principal conduta relatada na literatura, no presente caso o procedimento não foi autorizado pelo tutor, sendo necessário optar por alternativas clínicas. O uso da colagenase, seguida do óleo de pequi, mostrou-se eficaz, promovendo redução da massa e cicatrização completa em aproximadamente 30 dias. A colagenase favoreceu a remoção de tecido necrótico a partir da degradação do colágno advindo da ferida, enquanto o óleo de pequi, rico em carotenóides e compostos fenólicos, contribuiu com ação antioxidante, antimicrobiana e estimuladora da cicatrização (6). O presente caso demonstra que o tratamento adotado resultou em completa remissão dos sinais clínicos e regeneração total da lesão, mostrando-se como alternativa viável à excisão cirúrgica quando esta não é possível.

Downloads

Publicado

2026-03-22