MONITORAMENTO DE Aspergillus spp. EM AVES SILVESTRES DE VIDA LIVRE NA AMAZÔNIA OCIDENTAL

Autores

  • Mário de Oliveira Magalhães
  • Adryan Douglas Souza de Carvalho
  • Cyntia do Nascimento Costa
  • Jhonatan Henrique Lima da Rocha
  • Sthefanny Khetlyn Silva do Nascimento Vieira
  • Fillipe Kevin Sales da Silva
  • Raily da Costa de França
  • Edson Guilherme da Silva
  • Tamyres Izarelly Barbosa da Silva

Palavras-chave:

A.flavus, aspergilose, passeriforme

Resumo

A aspergilose é uma doença fúngica oportunista de ampla distribuição global, causada pelo fungo filamentoso do gênero Aspergillus. O fungo está amplamente distribuído no ambiente, sendo encontrado no solo, matéria orgânica em decomposição e no ar. A infecção ocorre principalmente por inalação de esporos do ambiente. A gravidade da aspergilose depende da cepa e da imunidade do hospedeiro, sendo relevante para a saúde pública e veterinária. (1,2). As aves são particularmente suscetíveis a essa doença devido a suas características anatômicas e fisiológicas. A ocorrência da aspergilose em aves pode servir como um indicador de saúde ambiental (1). Diante disso, o objetivo principal do estudo foi compreender a relação entre Aspergillus spp. e aves silvestres de vida livre no estado do Acre, Amazônia Ocidental. O estudo, realizado em Rio Branco, Acre, foi aprovado pelo Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade e pelo Comitê de Ética no Uso de Animais da Universidade Federal do Acre sob o protocolo n° 31/2024. A pesquisa avaliou 100 aves silvestres de vida livre, capturadas aleatoriamente em ambientes florestais e urbanos. A população amostral incluiu aves das ordens Passeriformes, Charadriiformes, Piciformes, Columbiformes e Cuculiformes. Amostras de swab traqueal foram coletadas com o auxílio de um abridor de bico e acondicionadas em tubos estéreis. As amostras foram encaminhadas para o Laboratório de Doenças Infecciosas dos Animais (Ladia/UFAC), onde foram semeadas no meio de cultura Ágar Czapek Dox e incubados a 30 °C. As colônias fúngicas foram analisadas macro e microscopicamente para identificação taxonômica, observando características como coloração, textura, hifas e esporos (3). De um total de 100 aves analisadas, em 11% das amostras de swab traqueal foi possível isolar Aspergillus spp. As ocorrências foram observadas em  aves pertencentes às ordens Passeriformes (Turdus debilis, Pitangus sulphuratus, Tyrannus melancholicus e Myrmelastes hyperythrus), Charadriiformes (Jacana jacana) e Columbiformes (Columbina talpacote). As espécies fúngicas identificadas incluíram A. fumigatus, A. flavus e A. niger, sendo A. flavus a espécie mais frequentemente isolada. Aspergillus sp. é um fungo oportunista de relevância no contexto One Health. A espécie A. fumigatus, detectada neste estudo, foi designada como patógeno do grupo crítico da Lista de Fungos Prioritários da Organização Mundial da Saúde (4). A ocorrência desse fungo é influenciada pelos hábitos ecológicos, dieta e comportamento das aves. Além disso, as condições climáticas da região amazônica favorecem a manutenção e a dispersão de esporos por diferentes ambientes. A identificação de aves como reservatórios de espécies de Aspergillus em múltiplos habitats, seja em áreas preservadas ou antropizadas, sugere que a exposição ao patógeno ocorre em diversos contextos ecológicos. Devido à natureza zoonótica do Aspergillus spp. e a capacidade migratória das aves silvestres, estes animais e o ambiente devem ser monitorados (5). A vigilância de Aspergillus spp. em aves silvestres é essencial para a conservação dessas espécies, que atuam como sentinelas da saúde ambiental. A detecção precoce e o controle do fungo são essenciais para prevenir surtos que ameaçam populações de animais de vida livre e podem gerar impactos na saúde pública.
 

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Publicado

2026-03-22