CARCINOMA DE GLÂNDULA ADANAL EM GAMBÁ-DE-ORELHA-BRANCA (DIDELPHIS ALBIVENTRIS): RELATO DE DOIS CASOS
Palavras-chave:
Animais selvagens, Eletroporação, Neoplasias das Glândulas PerianaisResumo
O gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) é um marsupial comum no território brasileiro, podendo viver em uma variação grande de ambientes, incluindo área urbana (1). Neoplasias nesta espécie são relatadas esporadicamente, não havendo relato sobre diagnostico de carcinoma de glândula adanal. Objetiva-se relatar dois casos de Didelphis albiventris acometidos por carcinoma adanal, submetidos à excisão cirúrgica e, um deles, à eletroquimioterapia. Ambos os gambás foram atendidos com queixa de nodulação em região perianal (Figura 1), submetidos ao estadiamento clínico tumoral (radiografia torácica e ultrassonografia abdominal) sem evidência de metástase. O caso 1 foi uma fêmea, 2 anos, submetida apenas a excisão cirúrgica. O caso 2 foi um macho, 3 anos, submetido à excisão cirúrgica, entretanto, devido margem cirúrgica exígua, optou-se por associar eletroquimioterapia com bleomicina intralesional (Figura 2). Em ambos, o histopatológico das massas foi carcinoma adanal e os pacientes estadiados após 3 meses, sem evidências de progressão tumoral, com óbito após 1 ano, sem relação com a neoplasia (o caso 2 apresentou sintomatologia de cardiomiopatia dilatada). Estudos sobre neoplasmas em didelfídeos são infrequentes, sendo sua maior parte feita em gambás-da-virgínia (Didelphis virginiana), sendo encontrados em Didelphis albiventris tumor maligno de células da granulosa com metástase hepática (2) e osteossarcoma fibroblástico em membro, diagnosticados por histopatológico após necropsia (3), além de sarcoma pleomórfico metastático por imunohistoquímica em um individuo analisando 204 necropsias de gambá (1). Sobre o comportamento biológico, o carcinoma de glândula anal em cães é localmente agressivo e metastático, com sobrevida de 212 dias quando tratados com apenas quimioterapia, atingindo de 713 a 1035 dias quando associado o tratamento local e sistêmico (4), sendo a cirurgia e a radioterapia correlacionadas a melhores resultados clínicos (4), por este motivo, foi associado a eletroquimioterapia no caso 2. Em gatos, por sua vez, a ocorrência é rara e relacionada à baixa sobrevida, sendo em quatro casos tratados com múltiplas modalidades (cirurgia, radioterapia e quimioterapia) a sobrevida variou entre 89 a 169 dias, com um caso com ressecção completa relatado vivo com 425 dias após a cirurgia (5), sendo considerado mais agressivo que observado nos Didelphis albiventris relatados neste estudo. Conclui-se que, nos casos relatados de Didelphis albiventris com carcinoma adanal, o tratamento cirúrgico isoladamente ou associado à eletroquimioterapia proporcionou 1 ano de sobrevida aos pacientes, sem confirmação do seu envolvimento na causa da morte. Desta forma, ainda é necessário observar a sobrevida de Didelphis albiventris com carcinoma adanal, bem como o benefício de terapias complementares, como a quimioterapia antineoplásica adjuvante, indicada para cães e gatos.
