INSUFICIÊNCIA DA VALVA ATRIOVENTRICULAR ESQUERDA EM PICA-PAU-DE-CABEÇA-AMARELA (Celeus flavescens) : RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Ave, Cardiopatia, EcocardiogramaResumo
Introdução: O diagnóstico de cardiopatias em aves ainda é um desafio dentro da rotina clínica de atendimento de pets não-convencionais, porém sua exequibilidade tem aumentado substancialmente nos últimos anos [1]. Esse conjunto de doenças ainda é pouco explorado, em especial devido às limitações técnicas, de equipamento e de referências, de modo a comprometer a abordagem diagnóstica do paciente aviário [2]. Nesse sentido, a realização de exames cardiológicos, como o ecocardiograma, nas mais diversas espécies de aves, quando possível, permite o aprofundamento do conhecimento técnico e a padronização de valores de referência, facilitando a avaliação cardiológica [1,2]. Relato de Caso: Foi atendido um pica-pau-de-cabeça-amarela (Celeus flavescens), já adulto, encontrado por uma munícipe. A ave, além de diversas lesões de pele, apresentava prostração, baixo escore de condição corporal, cansaço fácil e dificuldade de voo, de modo que, considerando a ausência de lesões compatíveis com o quadro no exame radiográfico, o animal foi encaminhado para atendimento no Serviço de Cardiologia da instituição. Foi realizado o ecocardiograma, sem sedação prévia, dado o estado geral da ave, no qual foram feitas as mensurações das câmaras cardíacas, da aorta e da velocidade dos fluxos valvares (Tabela 1), e também foi identificado insuficiência da valva atrioventricular esquerda de grau moderado (Figura 1). Após o exame, foi instituído tratamento com pimobendan na dose de 5 mg/Kg, sendo administrado pela via oral a cada doze horas. Em cinco dias de tratamento, a responsável pelo resgate já relatava melhora do estado geral do paciente e recuperação parcial da capacidade de voo. Contudo, com a estabilização e recuperação da ave, ela foi encaminhada para um Centro de Triagem, seguindo as normativas vigentes, impossibilitando o acompanhamento do quadro. Discussão: Assim como já relatado, a insuficiência da valva atrioventricular esquerda é um diagnóstico documentado em aves e, coincide com os mesmos achados deste exames [1]. Apesar disso, não há descrições de mensurações ecocardiográficas na espécie em questão, de modo que as alterações identificadas não foram suficientes para determinar a presença ou ausência de remodelamento. Vale ressaltar que em outras espécies, como os cães, um grau discreto de insuficiência já seria suficiente para desencadear remodelamento, reforçando essa possibilidade [3]. Desse modo, o uso do Pimobendan foi instituído visando o diagnóstico terapêutico de remodelamento cardíaco, porém seu efeito não pôde ser avaliado a longo prazo. A escolha da dose, dada a ausência de estudos para a espécie referida, baseou-se na preconizada para psitacídeos [4]. Vale reforçar que a ausência de valores de referência para a espécie torna a avaliação mais desafiadora. Conclusão: Na ausência de outras doenças que poderiam causar as manifestações clínicas deste indivíduo e com a melhora clínica após o início da administração do pimobendan, possivelmente este animal se beneficiou do tratamento e potencialmente a cardiopatia poderia estar causando os sintomas, entretanto, mais estudos se fazem necessários para determinar valores ecocardiográficos de referência e tratamento a longo prazo das cardiopatias nesta espécie.
