APLICAÇÃO DO MIDAZOLAM PELA VIA INTRANASAL COMO PROTOCOLO DE TRANQUILIZAÇÃO EM SAGUIS-DE-TUFOS-PRETOS (Callithrix penicillata): RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Benzodiazepínicos, Primatas, SedaçãoResumo
Introdução: Considerando a crescente presença de saguis-de-tufo-preto (Callithrix penicillata) nos diversos contextos associados ao atendimento médico de animais silvestres, há um surgimento gradual de técnicas que otimizem o manejo deles [1]. Nesse sentido, o uso de protocolos de tranquilização é desejável, visando a minimização do estresse e facilitação do manejo desses animais [2]. O cloridrato de midazolam, um benzodiazepínico classificado como um sedativo menor, funciona como uma boa alternativa nesse cenário, considerando seus efeitos hipnótico-sedativo, ansiolítico e de relaxamento muscular [2]. Somam-se aos benefícios dos efeitos, a janela terapêutica segura e a baixa ocorrência de depressão cardiorrespiratória, bem como a possibilidade de reversão e a ausência de metabólitos ativos [3]. Além da via parenteral, a via intranasal é particularmente relevante devido ao fácil acesso e à biodisponibilidade adequada do fármaco. Relato de Caso: Tendo em vista este contexto, durante um manejo de rotina em um criadouro comercial no estado de São Paulo, foram avaliados seis saguis-de-tufo-preto (Callithrix penicillata), a fim de avaliar a efetividade do uso do midazolam pela via intranasal. A dose escolhida foi a de 0,70 mg/Kg e os animais foram subdivididos em dois grupos de maneira aleatória, sendo um com aplicação de midazolam (CM) e outro sem (SM). Todos os animais foram submetidos a um jejum alimentar e hídrico de três horas, seguido de exame clínico prévio, descartando alterações do estado de saúde e, na sequência, submetidos ao protocolo. Inicialmente, os indivíduos que receberam o fármaco foram observados por dez minutos e após isso, foi realizada a contenção física e monitoramento de parâmetros vitais, sendo eles frequências cardíaca e respiratória. Todos os saguis que receberam o medicamento, comparando com o comportamento dos demais, apresentaram relaxamento muscular e incoordenação, mesmo que em grau discreto. Com o término do manejo, tendo em vista a ausência de intercorrências, os animais foram devolvidos aos seus recintos. Discussão: Comparativamente, os indivíduos que receberam o protocolo, apresentaram menor responsividade à contenção e pouca interferência nos parâmetros aferidos. Assim como descrito em outros estudos, os animais apresentaram discreta excitação, porém na sequência notou-se perda parcial dos reflexos motores em aproximadamente três minutos após a aplicação [4]. Outro efeito observado, foi a ocorrência de espirros pontuais, logo após a administração, sendo esses relacionados ao efeito de irritação local, também em concordância com a literatura [3,4]. Mesmo com a observação de perda de coordenação e tônus muscular em graus diferentes em cada animal, os efeitos foram brandos e menos evidentes daqueles relatados em outros estudos em primatas, sendo essa diferença justificada pela dose menor [4]. Apesar disso, também em comparação com este outro trabalho, os animais não manifestaram sialorréia - acredita-se que esta variação esteja associada ao menor volume, dado o porte dos animais e redução da dose. Conclusão: Apesar do efeito satisfatório durante o manejo, sugere-se uma nova avaliação com doses mais elevadas, a fim de buscar tranquilização mais pronunciada, porém com atenção para reações adversas, como sialorréia e irritação da mucosa nasal.
