EXODONTIA E ODONTOSSECÇÃO EM HIPOPÓTAMO-COMUM (Hippopotamus amphibius)
Palavras-chave:
extração, Hippopotamidae, odontologiaResumo
O hipopótamo-comum (Hippopotamus amphibius) pertence à família Hippopotamidae e é um dos maiores mamíferos terrestres do planeta. Os incisivos e caninos desses animais são hipsodontes, ou seja, têm coroa alta, raiz aberta e crescimento contínuo, o que é adaptativo para animais que se alimentam de vegetação fibrosa, favorecendo o desgaste dos dentes (3). Não é incomum que hipopótamos apresentem problemas odontológicos quando mantidos sob cuidados humanos, uma vez que a abrasão entre os dentes dificilmente é suficiente para mantê-los desgastados como no ambiente natural (2). O presente trabalho relata o caso de um hipopótamo-comum submetido a duas extrações e uma odontossecção (Figura 1). O indivíduo é um macho, de 54 anos, mantido sob cuidados humanos, que apresentou quadro intermitente de apatia e emagrecimento progressivo. Ao exame da cavidade oral, observou-se mobilidade de primeiro incisivo inferior lateral direito e primeiro pré-molar inferior direito, associada ao hipercrescimento de canino inferior esquerdo, lesionando lábio superior. O animal foi anestesiado com detomidina (0,04 mg/kg), butorfanol (0,05 mg/kg), azaperone (0,07 mg/kg) e cetamina (0,35 mg/kg) e mantido com vaporização de isoflurano via sonda nasal. Depois da avaliação radiográfica da região, verificou-se a presença de abscesso alveolar periapical, associada à mobilidade dentária e com indicação de extração do incisivo e pré-molar acometidos. Para isso, foi realizado bloqueio local com articaína (0,4 mg/kg). A técnica para exodontia de ambos os dentes foi a sindesmotomia com elevador de freer, luxação dos ligamentos periodontais com um luxador especialmente desenvolvido para hipopótamos e avulsão dentária com auxílio de fórceps. Depois da extração, os orifícios foram ocluídos com agregado de trióxido mineral (MTA) (Figura 2). No canino, foi realizada a odontossecção com o auxílio de uma serra elétrica circular. Como tratamento pós-operatório, foi realizada administração única de enrofloxacina de longa duração (4 mg/kg) e prescrito dipirona (25mg/kg) e meloxicam (0,1 mg/kg) SID durante cinco dias. Anomalias dentárias normalmente são as principais responsáveis pela mudança na apreensão e mastigação do alimento, podendo levar ao aparecimento de sinais clínicos como emagrecimento progressivo, sialorreia e aumento do tempo de mastigação. Porém, quando eles são percebidos, normalmente já há dano significativo aos tecidos adjacentes ao dente acometido (2). Além disso, hipopótamos estão entre os mamíferos mais difíceis de serem anestesiados, principalmente por conta do seu peso e tamanho (4). Isso faz com que procedimentos simples passem a ser classificados como de maior risco e reforça o papel do condicionamento operante como essencial para o manejo odontológico e veterinário desses animais (1). No caso em questão, o animal já faz parte de um programa de condicionamento operante e permite o desgaste dos caninos com a utilização de uma serra. Porém, por conta da mobilidade dos dois outros dentes e, consequentemente, da necessidade de realizar um procedimento mais invasivo, optou-se pela contenção química. Assim, pode-se afirmar que a saúde dentária de hipopótamos é de grande importância para o seu bem-estar geral e deve ser avaliada periodicamente, seja através de condicionamento operante ou contenção química.
