FERIMENTO DE ANZOL NA REGIÃO ORAL DE Trichechus manatus manatus: RELATO DE CASO

Autores

  • Arthur Vinicius Caetano de Oliveira
  • Héctor Guilherme Silva Freitas
  • Nicolas Nogueira do Santos
  • Pedro Joaquim Leite da Costa e Sousa
  • Radan Elvis Matias de Oliveira
  • Fábia de Oliveira Luna
  • Fernanda Loffler Niemeyer Attademo

Palavras-chave:

Antropomorfismo, atividade pesqueira, peixe-boi

Resumo

O peixe-boi-marinho (Trichechus manatus manatus) é uma espécie cuja  distribuição ocorre no litoral do Norte e Nordeste brasileiro, no Brasil categorizado pelo ICMBio como Criticamente Ameaçado de extinção. A ocupação das regiões costeiras e outras atividades antrópicas são atualmente as principais causas para redução da população (1). O objetivo deste trabalho foi relatar a interação de dois peixes-bois-marinhos machos, ambos de vida livre, com anzóis de pesca resultando em ferimentos na região oral. A primeira ocorreu em setembro de 2014, com um espécime adulto, na praia de Porto de Pedras, no estado de Alagoas, próximo à foz do rio Manguaba, a segunda em janeiro de 2017, com um juvenil, ambos os anzois (Figura 1) encontravam-se presos no lábio superior (Figura 2A) junto a um pedaço de linha de nylon. Em ambos os casos foi necessário o resgate para a retirada do anzol (Figura 2B) e posteriormente a aplicação de anti-inflamatório em pasta a base de triancinolona acetonida e  de extrato de própolis na base da lesão. Não foi necessário a aplicação de antibioticoterapia e nem destinar os peixes-bois ao cativeiro, pois a intervenção veterinária ocorreu de forma rápida. Este é o primeiro relato de peixe-boi-marinho com presença de anzol na região oral no Brasil. A interação com a pesca é um problema comum não somente aos peixes-bois como para diversas espécies de mamíferos aquáticos. Este tipo de ameaça tem sido observada desde a ingestão de artefatos de pesca ou mesmo emaranhados em redes podendo levar os animais à debilidade clínica ou mesmo óbito (2). Os peixes-bois são herbívoros e não seria esperado a aproximação desta espécie com redes de pesca, entretanto os animais soltos na natureza vem comumente sendo relatado com este tipo de interação, o que sugere um comportamento antropizado destes (3). Nos aspectos clínicos, o anzol pode causar infecção grave, incapacidade de alimentação e, se ingerido pode causar sérios problemas e mesmo o óbito (4), uma vez que exames de imagem para identificar o problema e a cirurgia de retirada são inviáveis para a espécie. O uso tópico do própolis associado ao antiinflamatório se mostrou favorável, não ocorrendo processos infecciosos ou dolorosos após a retirada e permitindo que ambos os peixes-bois retornassem para a natureza, onde se encontram até o presente. Entretanto, destaca-se que estes peixes-bois constantemente interagem com artefatos de pesca, sendo uma grande preocupação para a equipe. Casos semelhantes podem ocorrer com mais frequência, em decorrência do aumento de solturas de peixes-bois no Brasil. Desta forma, recomenda-se o monitoramento sistemático dos peixes-bois em áreas de risco, bem como a rápida intervenção no caso de presença de artefatos de pesca, como o anzol. O tratamento tópico se mostrou eficiente neste caso, não havendo a necessidade de envio dos peixes-bois para o cativeiro.
 

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Publicado

2026-03-23