CARACTERÍSTICAS FENOTÍPICAS COMPATÍVEIS COM LEUCISMO EM ANTA (Tapirus terrestris) NO NOROESTE PAULISTA.

Autores

  • Stephanie Sanfelice
  • Lígia Cipriano Mizuno
  • Sabrina dos Santos Cunha
  • Ester da Silva do Nascimento
  • Natasha Fujii Ando
  • Bernhard von Schimonsky
  • Antonio Eduardo dos Santos Souza
  • Bruno de Lima Barbosa

Palavras-chave:

Conservação, Consanguinidade, Fragmentação

Resumo

    A cor e os padrões de pele e dos pelos dos animais variam conforme a espécie, sendo determinados pela quantidade e distribuição de pigmentos pelo corpo (Hofreiter & Schöneberg, 2010). Algumas alterações genéticas interferem nessa distribuição, resultando em diferentes manifestações fenotípicas, como o albinismo e o leucismo. O leucismo se caracteriza por uma perda parcial ou total de coloração na pele e pelos, sendo identificado por tons esbranquiçados ou amarelados (Fox & Vevers, 1960). Diferentemente, o albinismo é marcado pela ausência total de pigmentos, incluindo os olhos e mucosas, devido à disfunção da enzima tirosinase, importante na produção de melanina (Lang, 2004). Assim, nos animais leucísticos observa-se a palidez dos pelos e da pele, com preservação da coloração ocular e de mucosas (Imagem 1).
    Segundo a IUCN, a anta-brasileira (Tapirus terrestris) é considerada uma espécie vulnerável, afetada diretamente pelas ações humanas, especialmente pelo avanço do agronegócio no noroeste paulista. A fragmentação ambiental, associada a barreiras naturais e ações antrópicas, dificulta o cruzamento genético entre populações. Esse isolamento leva a um aumento de cruzamentos entre indivíduos aparentados, favorecendo o surgimento de características associadas a genes recessivos, como o leucismo.
    Em novembro de 2022, a Polícia Ambiental de Adolfo (SP) resgatou um filhote órfão de (Tapirus terrestres) e o encaminhou ao Zoobotânico de São José do Rio Preto (SP) para atendimento. Durante a triagem, identificou-se hipopigmentação, com pelos e pele esbranquiçados e acinzentados. No entanto, olhos e mucosas mantinham o padrão de pigmento esperado, evidenciando um quadro de leucismo. O filhote, uma fêmea, estava ativa e foi alimentada com mamadeira até atingir cerca de 50kg, momento em que foi integrado ao plantel. Comparado aos indivíduos típicos da espécie, apresentava desenvolvimento de porte inferior — um aspecto também observado em outros relatos de leucismo em mamíferos, embora ainda não haja confirmação científica dessa correlação, levantando a hipótese de relação à expressão de alelos recessivos.
    A variação de pigmentação pode associar-se ao grau de consanguinidade, que envolve a manifestação de características herdadas de forma recessiva. A ocorrência de leucismo em regiões fragmentadas pode ser um indicativo de desequilíbrio genético regional (Bonatto & Eizirik, 2008). Este caso reforça como os efeitos da fragmentação ambiental e dos cruzamentos entre indivíduos aparentados podem impactar diretamente a genética da fauna local, evidenciando a importância de se considerar aspectos genético na formulação de políticas públicas para conservação de espécies (Tabela 1).
    Casos como este servem de alerta sobre a fragilidade genética das populações silvestres, ressaltando a importância da integração entre conservação genética e educação ambiental. Essa conexão ajuda a população a compreender o papel da medicina veterinária, biologia e dos centros de triagem e reabilitação de animais silvestres (CETAS e CRAS), como agentes fundamentais na preservação da biodiversidade brasileira. Ao divulgar casos como este, amplia-se a percepção pública sobre os impactos genéticos e ambientais da perda de habitat, e incentiva-se o engajamento social em meio a ações de conservação.

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Publicado

2026-03-23