DIAGNÓSTICO E MANEJO DE ENTERITE E COLITE EM VIPERÍDEOS NO PERÍODO DE 2019 A 2024

Autores

  • Lara Barbara Alves
  • Sandra Fernanda Bilbao Orozco
  • Marcia Regina Franzolin
  • Susana de Souza Barreto
  • Kathleen Fernandes Grego
  • Luciana Carla Rameh-de-Albuquerque

Palavras-chave:

Doenças bacterianas, Serpentes, Sepse

Resumo

Introdução: Uma das causas principais de mortalidade em serpentes mantidas em cativeiro são as doenças infecciosas bacterianas (1). Nos répteis, ocorrem processos assintomáticos, que podem evoluir para quadros clínicos severos (2). A ocorrência de infecções por bactérias intestinais é favorecida quando patógenos como Salmonella spp. invadem tecidos extra-entéricos, o que ocorre em situações de imunodeficiência (3). Os objetivos do presente trabalho foram identificar as bactérias causadoras de enterite/colite em viperídeos, analisar os tratamentos instituídos e correlacionar achados necroscópicos com os microrganismos isolados (CEUAIB 7967310720). Materiais e métodos: Foram avaliadas as fichas individuais e de tratamento dos animais que apresentaram sinais clínicos compatíveis com gastroenterite e colite, entre os anos de 2019-2024. Para o diagnóstico definitivo, foram coletadas amostras de mucosa cloacal através de suabe e punção da veia coccígea ventral para hemocultura. Os suabes cloacais foram incubados em caldo caseína-soja (CS), em seguida transferidos para caldo Rappaport-Vassiliadis para enriquecimento da amostra e, posteriormente, realizou-se a semeadura (em duplicata) em ágar xilose-lisina-desoxicolato (XLD). Para a hemocultura foram utilizados frascos contendo CS e caldo tioglicolato-fluido (T). Foram realizados dois subcultivos cegos em meios sólidos em ágar Sangue (AS) e ágar MacConkey (MC). As colônias foram identificadas pelo sistema API® (bioMérieux). Os fármacos testados no antibiograma (método de Kirby-Bauer) foram amicacina, cefalexina, ceftiofur, cefuroxima, ciprofloxacina, cotrimoxazol, enrofloxacina e gentamicina. Nos animais que vieram a óbito foi realizada a necrópsia com descrição dos achados macroscópicos. Resultados: Das 33 serpentes avaliadas dos gêneros Bothrops e Crotalus, 51,5% apresentaram infecção por Salmonella enterica ssp. arizonae, seguida por Pseudomonas aeruginosa com 24,2% e Klebsiella oxytoca em 15,1%, (Gráfico 1). Vinte animais vieram a óbito, totalizando 60,6%. As principais lesões macroscópicas nos exames de necropsia foram: secreção catarral ou purulenta no trato digestório, espessamento intestinal, úlceras e placas caseosas no cólon. Nódulos hepáticos foram encontrados em 25% dos casos, indicando um possível quadro de granulomatose ou infecção disseminada. A sepse foi identificada em 31,2% dos casos, sugerindo uma condição clínica de comprometimento sistêmico. A gentamicina foi o antibiótico mais efetivo nos tratamentos, com as bactérias apresentando uma sensibilidade de 100%, enquanto a maior resistência dos isolados foi em relação à cefuroxima (Gráfico 2). Discussão: Salmonella apresenta menor percentual de resistência às drogas como quinolonas (enrofloxacina e ciprofloxacina), cefalosporinas de última geração, aminoglicosídeos (gentamicina e ampicilina), associados a inibidor da beta-lactamase (3,4). Apesar da execução de tratamentos adequados, a taxa de sucesso foi de 39,4%, o que pode ser atribuído à presença de bactérias multirresistentes e a fatores que podem prejudicar a antibioticoterapia, como: estresse e fatores abióticos inadequados. Nódulos hepáticos foram observados em 25% das necropsias, indicando um possível quadro de granulomatose ou infecção disseminada (5), acarretando na incorreta metabolização de fármacos. Conclusão: Apesar de toda a profilaxia realizada no plantel, possivelmente as infecções se devem ao fato destes agentes infecciosos fazerem parte da microbiota das serpentes e, por tratarem-se de patógenos oportunistas, sendo imprescindível a observação de sinais clínicos a fim de realizar o diagnóstico precoce e tratamento assertivo.

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Publicado

2026-03-23