Homeopatia no sangramento agudo, é possível? Relato de uso em fratura de garras em dois indivíduos de Bradypus variegatus
Palavras-chave:
Preguiça de três dedos, homeopático episódico, animais silvestresResumo
Introdução: A homeopatia utiliza a Lei da Semelhança para a definição do medicamento único (simillimum), selecionando características físicas e mentais do indivíduo e é conhecida por ser utilizada para tratamento de doenças crônicas (1). A utilização de homeopatia como medicamentos episódicos ou sintomáticos pode também ser realizada, principalmente quando não se tem conhecimento aprofundado das características que permitiriam a seleção do simillimum, como em casos agudos, de urgência e emergência. Bradypus variegatus é uma espécie endêmica da América Latina, tendo a degradação do ambiente e expansão urbana como principal ameaça, ocasionando acidentes automobilísticos enquanto se movimentam pelo solo (2). A fratura de garras nesta espécie implica em sangramento ativo de origem óssea (figura 1.C) e, devido ao seu baixo metabolismo, o seu Tempo de Coagulação Ativada de 6 min e 21s e o Tempo de Sangramento de 1 min e 9 s, superior quando comparado aos outros mamíferos (3). Em caso de sangramento, indica-se a compressão local, uso de selantes, medicamentos tópicos, hemostasia térmica por resfriamento/eletrocautério ou medicamentos homeopáticos (1,4). Relato de caso: Dois indivíduos de B. variegatus foram encaminhados em momentos distintos para um empreendimento de fauna, em solo, na faixa de rolamento da rodovia. Ao exame físico, ambos animais apresentaram-se com bom escore corpóreo, alertas e responsivos. Notaram-se abrasões difusas em pele, com fraturas de garras dos quatro membros, com desvio anatômico e presença de sangramento ativo. No primeiro animal (figura 1) realizou-se a aplicação tópica de glóbulo de Phosphorus 12cH, sem resposta hemostática adequada (figura 1.B), partindo-se para a diluição do medicamento em coletor universal estéril com 50 mL de água filtrada gelada e imersão das garras, resultando em hemostasia em menos de 60 segundos (figura 1.D). No segundo caso (figura 2.A e 2.B), realizou-se o protocolo de diluição de 1 glóbulo de Phosphorus 12cH em 100 mL de água filtrada em temperatura ambiente, e imersão das garras (figura 2.C). O cessamento do sangramento ocorreu em 25 segundos (figura 2.D). Os animais permaneceram sob tratamento com analgesia, curativos, suporte terapêutico e recuperaram a função anatômica das garras após o tratamento. Discussão: Hemostasia em porções ósseas queratinizadas como as garras são usualmente físicas e implicam em utilizar métodos dolorosos como estancamento compressivo ou cauterização. A abordagem menos invasiva da aplicação da homeopatia episódica diluída e o tempo de hemostasia inferior ao parâmetro de Tempo de Sangramento demonstra-se vantajosa por ser eficaz em menor tempo do animal sob contenção física e diminuindo o estresse devido a um manejo menos invasivo. O tratamento homeopático implica em um manejo sem contaminação do ambiente em que os animais se apresentam, sem acumulação de efeitos adversos no organismo, somado com a facilidade de administração corroborando com os conceitos de bem-estar e o conceito de Saúde Única, na qual procura-se melhorar a saúde do ambiente em que se utilizam estas medicações (5). Conclusão: Por minimizar a abordagem estressante e dolorosa, com efeito rápido, sem efeitos colaterais, sem efeitos residuais no ambiente e baixo custo, a homeopatia como uso de medicamento sintomático é uma opção viável na medicina de animais silvestres.
