PERFIL HEMATOLÓGICO DE TUCANOS-TOCO (Ramphastos toco) MANTIDOS SOB CUIDADOS HUMANOS

Autores

  • Juliana de Souza Carnieli
  • Gerlaine Barbosa Vianna
  • Marcos Roberto Barros Freitas
  • Igor Roland Mathias Netto da Silva
  • Patrícia Montresor
  • Cristiane Divan Baldani
  • Daniel de Almeida Balthazar
  • Andresa Guimarães

Palavras-chave:

células, sangue, hematologia

Resumo

O Tucano-toco (Ramphastos toco) é encontrado em áreas semi-abertas a matas fechadas de países neotropicais da América (1). Exames de sangue são indispensáveis na medicina aviária uma vez que, aves apresentam frequentemente sinais clínicos inespecíficos (2). Este estudo teve como objetivo realizar o perfil hematológico de tucanos-toco para monitorar a saúde desses animais. O estudo abrangeu 13 tucanos-tocos mantidos sob cuidados humanos. Os animais foram contidos fisicamente para realização do exame clínico. Em seguida, foi puncionada a veia jugular direita para coleta de sangue que foi armazenado em tubos com EDTA e confeccionados esfregaços sanguíneos. O hematócrito foi obtido através da técnica do microhematócrito; a hemoglobina foi obtida através do método da cianometahemoglobina (Bioplus); o valor de proteína total foi obtido através do refratômetro; as contagens celulares (hemácias, leucócitos e trombócitos) foram realizadas em câmara de Neubauer com o diluente e corante Natt-Herrick; a contagem diferencial de leucócitos e análise de morfologia celular foram realizados através do esfregaço sanguíneo corado com Panótico rápido e analisado em microscopia óptica, objetiva de 100x. Os valores médios de hemácias (2,3x10⁶/µL), hemoglobina (12,7g/dL) e CHCM (27,7g/dL) (Tabela 1) estiveram abaixo dos intervalos da referência usada (3), sugerindo uma possível tendência à anemia. Porém na literatura, há escassez de dados acerca de parâmetros hematológicos específicos para Ramphastos toco, o que aumenta a probabilidade de um erro na interpretação dos dados hematológicos. A anemia em aves pode decorrer de hemorragias, hemólise (por parasitas, septicemia ou intoxicação) ou menor produção de hemácias (4). O hematócrito médio (45,8%) ficou no limite inferior da referência. O VGM variou amplamente (124,3–300 fL), com média dentro do esperado. A média leucocitária total (8,9x10³/µL) permaneceu dentro da faixa de referência. A contagem diferencial mostrou predomínio de heterófilos (48%) e linfócitos (43,6%), padrões típicos em aves. Alguns indivíduos, contudo, apresentaram heterofilia e linfocitose acentuadas, possivelmente influenciadas por idade, hormônios ou estresse da contenção (5). A presença de monócitos, eosinófilos e basófilos foi observada em proporções baixas, com médias de 3,5%, 3,2% e 1,5%, respectivamente. É importante frisar que não tivemos acesso ao histórico dos animais, limitando a interpretação dos resultados. Os trombócitos se apresentaram em faixa ampla e variável e apesar da referência utilizada não apresentar intervalo de referência para trombócitos em R. toco, na maioria das aves a contagem varia de 20.000 a 30.000/μL3. A trombocitopenia está ligada à septicemia grave, coagulação vascular disseminada ou agregados, enquanto a trombocitose pode resultar de estresse, inflamação, anemia ou adaptações fisiopatológicas. A contagem real dessas células é difícil devido à tendência de aglomeração. O uso exclusivo de porcentagens relativas de leucócitos pode gerar interpretações equivocadas, já que dependem da contagem total, que varia entre indivíduos e pode mascarar alterações clínicas (4). Os dados completos estão na Tabela 2. Este estudo contribui para o conhecimento clínico e conservacionista de Ramphastos toco, ao fornecer dados hematológicos que podem orientar estratégias de manejo, reabilitação e intervenções clínicas futuras para a espécie.
 

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Publicado

2026-03-23