RECEBIMENTO, MANEJO NEONATAL, REABILITAÇÃO E SOLTURA DE CORUJINHA-DO-MATO (Megascops choliba) RECEBIDA EM CETAS

Autores

  • Giulia Moreira Diniz
  • Amanda Vitória Dornelas da Silva
  • Adiellen Murta Palma
  • Gustavo Henrique Santos Ribeiro
  • Marcelly de Souza Costa
  • Thiago Lima Stehling
  • Érika Procópio Tostes Teixeira

Palavras-chave:

neonato, cuidados parentais, suplementação

Resumo

Introdução: A Corujinha-do-Mato (Megascops choliba) é uma ave strigiformecomum nas florestas tropicais da América do Sul e encontrada em cidades com boaarborização (1). O manejo clínico de filhotes neonatais dessa espécie,especialmente em resgates, ainda é pouco documentado. Este relato apresenta oscuidados neonatais intensivos, o processo de reabilitação e a soltura de umexemplar recebido em um Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS).Relato de caso: Dois filhotes de Megascops choliba foram recebidos em umCETAS após serem encontrados em um ninho em uma obra. Segundo oresponsável pelo recolhimento, eles eclodiram no dia anterior à entrega. Umfaleceu, e o outro ficou sob cuidados neonatais intensivos. O sobrevivente pesava14g (Figuras 1A e 1B) e foi submetido a protocolo intensivo com controle térmicorigoroso, alimentação adequada e suplementação mineral. Devido ao tamanho, nãofoi possível oferecer pedaços de carne, logo, usou-se ração úmida rica emproteínas, fornecida via seringa e cateter 14G, quatro vezes ao dia, com volume de2ml a 4ml. Após um mês (Figura 1C), iniciou-se a oferta assistida de pequenospedaços de carne bovina e frango, com suplementação de cálcio. Uma semanadepois (Figura 1D), o animal já se alimentava e bebia água sozinho, empoleirava-se(Figura 1E) e apresentava comportamentos de caça e voo. Com isso, ele foiintegrado a um grupo da mesma espécie (Figura 1F), adaptando-se rapidamente. Adieta passou a incluir pequenos roedores e carne com cálcio em pó.Enriquecimentos ambientais, como feno com tenébrios, foram usados para estimularo comportamento de caça. Aos três meses ele pesava 115g e apresentavaplumagem ferrugínea (Figura 1G). Após quatro meses, atingiu 130g (Figura 1H) e,com base em seu comportamento, foi considerado apto para soltura em uma Áreade Soltura de Animais Silvestres (ASAS) registrada nos órgãos ambientais (Figura2). Discussão: O manejo neonatal requer etapas críticas para assegurar asobrevivência e reabilitação. Dietas inadequadas comprometem saúde,crescimento, reprodução e longevidade (1). As necessidades nutricionais variamconforme o estágio de vida, com maior demanda na reprodução e crescimento (1).Neonatos têm baixa capacidade termorregulatória, e até mesmo variações térmicasmoderadas podem ser letais (2). Por isso, o animal foi mantido com bolsa térmica eperíodos controlados de exposição solar, essenciais para a síntese de vitamina D,que atua com o hormônio da paratireoide para melhorar a absorção e reabsorção decálcio e sua mobilização óssea (3). O enriquecimento ambiental com tenébrios foieficaz, considerando que a dieta natural da espécie é majoritariamente compostapor grandes artrópodes, e pequenos vertebrados são consumidos menosfrequentemente. Conclusão: A reabilitação do filhote de Megascops choliba reforçaa importância de protocolos específicos para manejo neonatal, controle térmico,nutrição adequada e estímulo a comportamentos naturais, essenciais para a solturabem-sucedida de aves silvestres. Destaca-se também a importância dos CETAS noresgate, cuidado e reabilitação de animais silvestres. Além disso, é fundamentalconscientizar a população sobre os riscos da interferência em ninhos, que prejudicaa sobrevivência dos filhotes e os esforços de conservação.

Downloads

Publicado

2026-03-23