CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS EM CAMALEÃO-VELADO (Chamaeleo calyptratus): RELATO DE CASO

Autores

  • Ana Carolina Astolfi Antunes
  • Adriano de Alvarenga Júnior
  • Alexandre Hellmeister
  • André Grespan

Palavras-chave:

Neoplasia, Répteis, Tumor

Resumo

O atendimento veterinário de répteis teve um crescimento significativo, visto que a classe Reptilia conquistou popularidade como animais de companhia (1). Diante dessa realidade, o cuidado especializado torna-se algo essencial, sobretudo frente à patologias complexas, como neoplasias. O carcinoma de células escamosas (CCE), embora mais frequentemente relatado em serpentes, já foi descrito em lagartos e, raramente, em quelônios e crocodilianos (2, 3, 4), reforçando a necessidade de um diagnóstico preciso e abordagem clínica adequada. Trata-se de uma neoplasia epitelial maligna originada das células escamosas da epiderme, caracterizada por proliferação invasiva de queratinócitos, podendo ser confundida com feridas crônicas ou abscessos (5). Foi atendido um camaleão-velado (Chamaeleo calyptratus), macho, com oito anos de idade, apresentando hipoatividade e sinais compatíveis com hepatomegalia, confirmada por ultrassonografia, que também evidenciou parênquima homogêneo, motilidade intestinal diminuída, sem presença de líquido livre. Durante a internação para tratamento da condição hepática, observou-se uma massa de aproximadamente 2 mm de diâmetro na região cervical esquerda. O exame coproparasitológico evidenciou ovos de nematóides compatíveis com Oxyuridae, porém sem associação direta com a lesão tumoral. O animal foi submetido à cirurgia para remoção da massa fibrosa na região cervical esquerda, cujo fragmento foi encaminhado para análise histopatológica. O laudo revelou proliferação epidérmica não encapsulada, mal delimitada e infiltrativa, composta por células escamosas atípicas organizadas em cordões, lóbulos e pérolas córneas, com acentuada anisocitose e anisocariose, além de três figuras de mitose por dez campos de grande aumento. O diagnóstico foi confirmado como carcinoma de células escamosas bem diferenciado, com margens cirúrgicas livres. Após dezenove dias da cirurgia, o animal apresentou nova lesão no flanco direito, com cerca de 3 mm de diâmetro, também removida cirurgicamente (Figura 1) e enviada para biópsia. A histopatologia revelou infiltração neoplásica em derme profunda, composta por células escamosas atípicas semelhantes à lesão anteriormente descrita. As margens cirúrgicas, novamente, estavam livres. Confirmou-se, então, um segundo foco de carcinoma de células escamosas bem diferenciado, sugerindo metástase cutânea da neoplasia primária. Este caso evidencia a importância do diagnóstico precoce e manejo adequado de neoplasias em répteis, sobretudo em espécies pouco documentadas na literatura. O carcinoma de células escamosas, embora raro em camaleões, pode apresentar comportamento agressivo e metastático, exigindo acompanhamento clínico contínuo, exames complementares frequentes e intervenções cirúrgicas precisas (3, 4). Este relato contribui para o avanço do conhecimento clínico sobre oncologia em répteis, promovendo uma medicina veterinária mais preparada para os desafios da medicina de animais silvestres e exóticos.

Downloads

Publicado

2026-03-23