LESÕES TRAUMÁTICAS IDENTIFICADAS EM ANIMAIS SILVESTRES RESGATADOS NO NORDESTE DO BRASIL

Autores

  • Pedro Paulino Pinto
  • Jackson Nazareno Gomes de Lima
  • Aquiles Vicente Pereira
  • Brunna Muniz Rodrigues Falcão
  • Andressa Nunes Mouta
  • Danilo José Ayres de Menezes
  • Telma de Sousa Lima
  • Joyce Galvão de Souza

Palavras-chave:

Biodiversidade, Conservação, Fatores antrópicos

Resumo

Introdução: As lesões traumáticas representam grandes riscos aos animais silvestres, podendo inclusive levar ao óbito, e podem acontecer por acidentes rodoviários, impactos com estruturas (torres eólicas, prédios, aeronaves), ataques de animais domésticos, entre outros, causando danos que podem impossibilitar a volta desses animais ao habitat natural e perdas de biodiversidade. Material e métodos: Realizou-se estudo das lesões traumáticas em animais que foram a óbito durante o período de um ano, provenientes de um centro de reabilitação localizado no Nordeste do Brasil. Foram realizadas necropsias e descrição das lesões observadas. A pesquisa obteve autorização da CEUA (004/2022) e do SISBIO (78157-1). Resultados: Durante o período, vieram a óbito 503 animais, dos quais, 70 indivíduos (13,91%) apresentaram lesões traumáticas, sendo 41 aves (58,57%) de 18 espécies diferentes, 20 mamíferos (28,57%) de três espécies distintas, e nove répteis (12,85%) de quatro espécies (figura 1). Em 57 dos casos (81,42%), os animais eram oriundos de municípios com grande volume populacional que compõem a região metropolitana, sendo 35 (51,43%) resgatados diretamente da capital do estado. Nas aves, as lesões mais encontradas foram as relacionadas aos membros, sobretudo, fêmur, úmero, rádio e ulna, no entanto, lesões associadas ao eixo axial também foram encontradas, destacando-se fraturas de rinoteca (tabela 1). O segundo grupo com mais indivíduos foram os mamíferos, e o número de lesões associadas a membros e eixo axial foram mais homogêneas, destacando-se dois animais da espécie Callithrix jacchus, que sofreram descarga elétrica e tiveram várias lesões do tipo térmica associadas a esse evento. Por fim, o grupo com menor número de representantes foi o dos repteis, mas também com diversas lesões associadas, dentre as quais destacam-se a presença de um projetil na cavidade celomática de uma Iguana iguana, além de uma Kinosternon scorpioides com uma lesão na carapaça. Discussão: Com base nos dados da The IUCN Red List of Threatened Species (1), das 25 espécies presentes nesse estudo, 24 (96,0%) estão classificadas como menos preocupante, enquanto uma (4,0%) fazia parte do grupo quase ameaçado. As fraturas apresentaram maior ocorrência nos animais estudados, dentre as lesões encontradas, e em outra pesquisa, realizada com mamíferos atropelados, os pesquisadores observaram que 92,0% dos animais apresentaram fraturas associadas ao trauma (2). Com relação às causas dos traumas, muitas estavam associadas a impactos de grande força, o que sugere a ocorrência de acidentes rodoviários. Levantamentos apontam que mais de dois milhões de animais são atropelados por ano em rodovias brasileiras, destes, os animais mais afetados são os pequenos vertebrados (3), assim como observado na presente pesquisa. Isso acontece pois, segundo estudos, a altura dos veículos torna-se propicia a traumas na região de crânio, membros pélvicos e torácicos dos animais, sobretudo fraturas associadas à articulações dos membros (4,5). Conclusão: As alterações observadas com maior frequência foram fraturas (77% dos indivíduos), e esses resultados mostram que os traumas estão associados a quase 14,0% das mortes de animais silvestres, número que deve ser levado em consideração para o desenvolvimento de estratégias de preservação.

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Publicado

2026-03-23