PERFIL CLÍNICO DE Spheniscus magellanicus QUE VIERAM À ÓBITO ATÉ 24 HORAS APÓS RESGATE
Palavras-chave:
Pinguins, Reabilitação, Síndrome MetabólicaResumo
O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia se Santos (PMP-BS) recebe Pinguins de Magalhães (Spheniscus magellanicus - SM) frequentemente e muitos chegam em condições críticas, apesar de muitas vezes não apresentarem alterações comportamentais graves. A Síndrome do Pinguim Encalhado (SPE), como sugerido por Hurtado et al (1), é recorrentemente diagnosticada na costa brasileira, sendo identificada por desidratação, subnutrição/desnutrição associada ou não à hipoglicemia e hipotermia, sendo um análogo à “tríade do neonato” em filhotes de mamíferos, porém no caso dos SM, de ocorrência em animais juvenis ou adultos. Desse modo, a SPE enquadra disfunções orgânicas de diversos sistemas fisiológicos distintos simultaneamente, incluindo fadiga, desbalanceamento hidroeletrolítico, déficit energético, desnutrição, hipovolemias não-hemorrágicas e possivelmente parasitoses e infecções bacterianas secundárias. Tais alterações durante tratamento podem culminar em síndrome de realimentação, acidose metabólica, hipotensão arterial e imunossupressão, com alta taxa de mortalidade devido seu estado severamente debilitado. Material e métodos: Através de levantamento dos dados do Sistema de Informação e Monitoramento de Biota Aquática (SIMBA), foram identificados indivíduos entre 2020 e 2023 e segregados em resgatados vivos ou mortos. Aqueles resgatados vivos foram agrupados por tempo de sobrevida e coletados seus dados clínicos: peso (Kg), escore corporal (caquético, magro, bom, ótimo), nível de consciência (alerta, deprimido, inconsciente, em choque), grau de desidratação (extremamente desidratado, desidratado, normohidratado), coloração de mucosas (hipocorada, normocorada, congesta, cianótica, ictérica), temperatura central (ºC), presença ou não de reflexos neuromotores (doloroso, cloacal, palpebral), reflexos neuroftálmicos (pupilar e corneal), frequência cardíaca e frequência respiratória. Resultados e Discussão: Foram identificadas 1081 ocorrências de Pinguins de Magalhães (Spheniscus magellanicus – SM) vivos ou mortos no PMP-BS no estado do Rio de Janeiro (Paraty à Saquarema) de 2020 a 2023, 384 resgatados vivos e encaminhados aos Centros de Reabilitação e Despetrolização (CRD), 275 vieram à óbito durante tratamento, sendo 124 no 1º dia de reabilitação, com um declínio grande na taxa de mortalidade em seguida. Quando quantificados, observou-se que vieram à óbito 92 (84,2%) animais com até 2kg, 112 (90,3%) caquéticas, 85 (68,5%) deprimidas, 117 (94,3%) hipotérmicas, 74 (62%) extremamente desidratados, 108 (91,5%) mucosa hipocorada, 50 normocárdicos (60,2%), 93 (84,5%) bradipneicos, 21 (16,9%) com alterações de reflexos neuroftálmicos e 25 (20,1%) com reflexos neuromotores. Há notável mortalidade nos animais admitidos nas primeiras 24 horas, com esse número caindo a partir do segundo dia. Reflexos neuromotores, neuroftálmicos e frequência cardíaca, não demonstram ser bons preditores prognósticos, ao passo que peso, escore corporal, temperatura central, frequência respiratória e grau de desidratação parecem ser determinantes para maior tempo de sobrevida. A maior parte dos pinguins resgatados para reabilitação vieram á óbito nas primeiras 24 horas e da maior parte destes observou-se: temperatura central até 36ºC, deprimidos, extremamente desidratados, peso menor que 2 kg, caquéticos e bradipneicos (2). Recomenda-se que animais admitidos neste perfil sejam tratados como críticos mesmo que sem alterações comportamentais severas e que em eventos de encalhe em massa e necessidade de triagem, fiquem em espera. Mais estudos são necessários para correlacionar sintomas, evolução clínica e maior sucesso nas reabilitações.
