BANDAGEM TIE-OVER MODIFICADO PARA CICATRIZAÇÃO DE FERIDA EM OURIÇO-CACHEIRO (Coendou prehensilis)
Palavras-chave:
curativo, cicatrização, roedoresResumo
O tratamento de feridas em animais silvestres é desafiador, considerando particularidades como temperamento, comportamento, anatomia, porte e estresse. A bandagem tie-over é um método adaptável, indicado especialmente para cobrir áreas de difícil acesso. O Coendou prehensilis conhecido popularmente como ouriço-cacheiro pertence à ordem Rodentia, possui pelos adaptados em espinhos e hábitos arborícolas (1,2). Este relato descreve o uso de bandagem tie-over modificada para a cicatrização de uma lesão na região caudal de um ouriço-cacheiro (C. prehensilis). Uma fêmea jovem de ouriço-cacheiro, pesando 0,905 kg, foi admitida no Hospital Veterinário apresentando necrose na cauda. Devido à gravidade da lesão, realizou-se caudectomia alta; entretanto, durante o procedimento, não foi possível obter margem cirúrgica adequada devido à presença de infecção e tecido comprometido na região. Após o procedimento, instituiu-se tratamento com enrofloxacina (5 mg/kg, IM, BID), dipirona (25 mg/kg, SC, BID), tramadol (2 mg/kg, VO) e limpeza com antisséptico na ferida cirúrgica. Cinco dias após a cirurgia, houve deiscência de sutura. Optou-se por tratamento por segunda intenção com bandagem tie-over convencional, ancorada por argolas de fio de sutura. Contudo foi necessário uma adaptação da mesma: A técnica modificada consistiu na sutura de colchetes na pele do animal e uso de elásticos para a fixação da gaze (Figura 1). A cicatrização completa da ferida ocorreu após três meses de tratamento, posterior a cultura e antibiograma identificarem infecção por Klebsiella spp. resistente a vários antibióticos. Considerando a localização da lesão, de fácil contaminação e difícil cobertura por curativos convencionais, e as particularidades da espécie, como os espinhos, optou-se pela bandagem tie-over. Essa técnica é indicada para feridas em áreas móveis, de difícil acesso ou com pouca pele para fechamento primário, especialmente próximas à cauda. Além disso, esse tipo de bandagem proporciona boa fixação do curativo sem comprometer a circulação local e reduz o risco de deslizamento observado em bandagens circunferenciais (3). O tie-over é um método considerado simples, bem conhecido e bastante utilizado, embora muitas modificações da técnica tenham sido descritas (4). A adaptação da técnica com colchetes e elásticos mostrou-se eficiente ao evitar o acúmulo de excretas, como fezes e urina, observado no caso em questão durante a aplicação da técnica convencional, uma vez que as argolas de sutura exigiram maior quantidade de gaze para manter a ferida coberta. Ademais permitiu trocas rápidas do curativo, minimizando o tempo de contenção e facilitando a higienização da área. A frequência das trocas da bandagem pode variar conforme o aspecto da ferida, o tratamento tópico empregado e a capacidade de absorção do curativo (5). No relato, a presença de bactéria justificou a troca diária, favorecendo o controle do exsudato e a aplicação frequente de medicamentos tópicos. O presente relato demonstra que a bandagem tie-over é uma alternativa eficaz para o manejo de feridas em regiões anatômicas de difícil cobertura, como a base da cauda em Coendou prehensilis. Além disso, a técnica mostrou-se viável no manejo de fauna silvestre, minimizando o estresse associado à manipulação, favorecendo a cobertura completa do leito da ferida e garantindo a cicatrização.
