DESCRIÇÃO E TRATAMENTO DE ÚLCERA DE CÓRNEA EM NEONATO DE PEIXE-BOI-MARINHO (Trichechus manatus): RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Oftalmologia, terapêutica, sirêniosResumo
Introdução: A úlcera de córnea é caracterizada por lesões e inflamações nas regiões da córnea, que podem ser classificadas em superficiais ou profundas, possuindo uma ampla variedade de causas. O diagnóstico é feito por meio dos sinais clínicos e da retenção do corante de fluoresceína, que auxilia na identificação da extensão da úlcera corando o epitélio lesado na tonalidade verde brilhante (1). Por possuir alta incidência em animais domésticos, mas pouco relatada em animais marinhos, especialmente os sirênios, o objetivo deste relato é descrever as lesões encontradas, a evolução e a eficácia no tratamento de úlcera de córnea em um indivíduo, neonato de peixes-boi-marinho (Trichechus manatus), recém encalhado e resgatado pelo Projeto Cetáceos da Costa Branca – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (PCCB-UERN). Relato de caso: Durante exame físico pós encalhe, foi observado epífora, fotofobia, edema de córnea e hiperemia conjuntival, além de opacidade e mancha arredondada de coloração branca em ambos os olhos. Foi realizado o teste de fluoresceína mostrando a extensão e a profundidade da úlcera de córnea com resultado positivo. No segundo dia pós encalhe foi observado piora das lesões oftálmicas, com aumento progressivo do edema corneano. O tratamento terapêutico adotado foi limpeza tópica da região oftálmica com solução estéril NaCl 0,9% refrigerada, a fim de auxiliar na redução do edema, e estímulos dolorosos, seguido de colírio antibiótico, com ciprofloxacina em uma base de Sulfato de Condroitina a 20% (2 gotas/TID/15 dias), antiinflamatório, com diclofenaco sódico 0,1 % (2 gotas/TID/10 dias), juntamente à pomada epitelizante a base de acetato de retinol, metionina e cloranfenicol (TID/10 dias), sendo o intervalo entre fármacos, de 60 segundos, para permitir absorção adequada. Foi observado início da regressão da hiperemia conjuntival e de edema de córnea 72 horas após início do tratamento, e uma total e completa recuperação das lesões em 15 dias da intervenção terapêutica. De acordo com o histórico de encalhe, e características dos achados, a causa das lesões tem como origem primária a abrasão traumática da região ocular por dendritos e substrato arenoso, e prolongada exposição solar, causando também ceratite. Discussão: Diferente de outras espécies, o peixe-boi possui a córnea vascularizada, que é uma característica única de adaptação evolutiva devido à sua capacidade única de se mover entre água salgada, salobra e doce, e que auxilia plenamente na rápida recuperação de lesões oftálmicas, sendo grande aliada na recuperação das lesões (2). Conclusão: Levando em consideração os desafios do manejo de lesões oftálmicas em animais aquáticos, o protocolo adotado demonstrou-se eficaz para o tratamento das lesões oftálmicas em neonatos de peixe-boi-marinho, demonstrando resolução precoce e clinicamente seguro, podendo subsidiar abordagens para outros casos com diagnóstico semelhantes.
