ADENOCARCINOMA INTESTINAL EM SAPO-CURURU (Rhinella marina): RELATO DE CASO

Autores

  • Lívia Maria Belmiro de Sousa
  • Isabelle Samara dos Santos
  • Karoline Lacerda Soares
  • Aksa Ingrid Vieira Batista
  • Roberto Citelli de Farias
  • Rodolfo Monteiro Bastos
  • Mayara Leal Firmino da Silva
  • José Ferreira da Silva Neto

Palavras-chave:

Câncer, medicina de anfíbios, neoplasia

Resumo

A incidência de neoplasias malignas é notadamente rara em anfíbios. Seus mecanismos celulares de autorregulação e controle durante a sua regeneração são responsáveis por sucessivas reações antimutagênicas (1). Entretanto, alguns indivíduos que compõem a ordem dos Anuros são mais suscetíveis, uma vez que tais processos ocorrem apenas antes da metamorfose (2). Tratando-se de neoplasias gastrointestinais, os adenocarcinomas intestinais têm sido relatados em algumas espécies de sapos, possuindo um caráter invasivo e metastático (3,4). O objetivo deste trabalho é relatar o caso de um adenocarcinoma intestinal em um sapo-cururu (Rhinella marina). Um anfíbio, espécie Rhinella marina, fêmea, 7 meses de idade, foi encaminhado até a clínica veterinária com histórico de disquezia e fezes contendo sangue e líquido enegrecido. No local, foi prescrito e realizado o exame de ultrassonografia abdominal que constatou a presença de uma massa em região medial da cavidade celomática medindo em torno de 3,5 cm x 2,04 cm, delimitada por parede hipoecogênica, com interior parenquimatoso, heterogêneo e que apresentava movimentação de material ecogênico (peristaltismo intestinal) de padrão não evolutivo. Além disso, uma radiografia de corpo inteiro nas projeções latero-lateral e dorsoventral realizada em seguida não demonstrou alterações no momento do exame. A paciente foi submetida a uma celiotomia exploratória que demonstrou conformação normal do estômago até início do cólon, onde foi detectada uma estrutura nodular transmural (Figura 1) que foi excisada e conservada em formol a 10% para posterior processamento e análise histopatológica. Na avaliação macroscópica foram observados três fragmentos de aspecto irregular, acastanhado e entremeados por áreas enegrecidas que, ao corte, revelaram superfície macia, compacta, lisa, brilhante e amarelada. Na microscopia óptica notou-se a presença de uma proliferação epitelial maligna com alta densidade celular, infiltrativa, não delimitada, formando túbulos e ácinos que substituíam a mucosa intestinal e se estendiam pela submucosa, muscular até a serosa. As células encontradas eram poligonais, de limites distintos, com citoplasma eosinofílico e homogêneo e, por vezes, contendo vacuolizações (Figura 2). O núcleo se caracterizava como redondo a oval, basofílico, com cromatina frouxa, contendo 1 a 2 nucléolos evidentes. Havia anisocitose acentuada e anisocariose moderada, assim como 13 figuras de mitose em 10 campos de maior aumento (Obj. 40x). Em permeio a neoformação observou-se quantidade moderada de tecido conjuntivo fibroso e neovascularização. Ademais, notavam-se áreas de hemorragia e infiltrado inflamatório multifocal a coalescente acentuado composto de células mononucleares. As margens se apresentavam comprometidas. Dessa forma, a descrição mostrou-se compatível com um adenocarcinoma intestinal. Assim, apesar de rara, a prevalência de neoformações malignas em sapos pode estar associada ao aumento de sua vida útil sob cuidados humanos (5). Todavia, a paciente acometida enquadra-se como jovem para afirmar essa correlação, o que requer um estudo genético aprofundado do caso. Conclui-se que a análise histopatológica foi imprescindível no diagnóstico do adenocarcinoma intestinal, tendo em vista a escassez de estudos relacionados a tal enfermidade nessa espécie.

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Publicado

2026-03-23