LEVEDURAS EMERGENTES ISOLADAS DE DERMATOPATIA DE CERDOCYON THOUS CATIVO

Autores

  • Kathleen Ramos Deegan
  • ianei de oliveira carneiro
  • Leane Gondim
  • Victoria Campos Bastos
  • Marcos Leônidas de Souza Fonseca
  • Laiane Gomes Lopes
  • Alberto Vinicius Oliveira Dantas
  • Aristeu Vieira da Silva

Palavras-chave:

Micose, Saúde Única, Transbordamento

Resumo

O cativeiro pode causar estresse crônico em animais silvestres resultando em alterações fisiológicas e comportamentais, mesmo em ambientes bem manejados. Essa resposta ao estresse promove imunossupressão e prejudica a função de barreira da pele, oportunizando a infecção fúngica. Os fungos leveduriformes ou filamentosos podem ser agentes primários ou secundários de dermatopatias, causando lesões alopécicas, eritematosas, circulares, locais ou disseminadas, ainda pouco descritas em mamíferos silvestres. Objetivamos relatar leveduras emergentes em dermatopatia de Cerdocyon thous (cachorro-do-mato) cativo e enfatizar a importância do monitoramento desses agentes em espécies silvestres. Este relato dispensa CEUA/ Sisbio. Um Cerdocyon thous, macho, 4 anos, apresentou alopecia generalizada, pústulas, prostração (Figura 1). Sangue foi coletado para avaliação bioquímica e hematológica (sem alterações significativas). A lâmpada de Wood não demonstrou florescência. A citologia de amostras da pústula apresentou neutrófilos fagocitando bactérias. Amostras de pelo e pele foram obtidos por raspado de borda de lesão, cultivadas em ágar Sabouraud dextrose com cloranfenicol, com e sem suplementação lipídica, e incubadas a 32°C, por até 15 dias. Após 4 dias, três morfotipos de leveduras observadas foram isoladas, submetidas à extração de DNA e amplificação por PCR convencional (iniciadores ITS1 e ITS4; Malup e Maldown – especialmente para Malassezia). O produto obtido foi sequenciado (Sanger) e comparado por BLAST no GenBank/NCBI (E de 0,0; cobertura mínima de 98% e identidade de 99%). Identificamos Trichosporon coremiiforme, Candida tropicalis e Malassezia pachydermatis. Instituiu-se itraconazol (8mg/kg, VO, SID, 15d), cefalexina (30 mg/kg, VO, BID, 28d), suporte com ômega-3 e protetor gástrico. Ao final da terapêutica, ocorreu a repilação e ressocialização no recinto. O Trichosporon coremiiforme, conhecido pela micose superficial “piedra branca”, já foi isolado de pele, unhas, urina e infecções sistêmicas em humanos. Leveduras resistentes a anfotericina B foram obtidas de amostra de orofaringe em rapinantes de CETAS (1), alertando para possíveis riscos de fungemia em humanos. Candida tropicalis é considerada levedura emergente em humano, agente de fungemia (2), com relatos de isolados resistentes a azóis e com expressão de fatores de virulência em hospedeiros silvestres, o que revela a importância da vigilância epidemiológica desta espécie (3, 4). A Malassezia pachydermatis está normalmente associada a quadros de dermatite e otite em mamíferos, principalmente quando ocorre a combinação de fatores predisponentes associadas ao hospedeiro (corticoterapia, antibioticoterapia prolongadas, estresse) e ao ambiente. Na pele, podem causar lesões eritematosas, descamação, alopecia, prurido, odor acético, hiperpigmentação e liquenificação, comprometendo a qualidade de vida do animal. Em humanos são raros os relatos de fungemia, porém a resistência a azóis é bastante reportada (5). Temos aqui agentes emergentes que nos aponta a necessidade de investir no estudo da microbiota de hospedeiros silvestres, interações humano-animal, uma vez que estes agentes possuem potencial zoonótico. Vale ressaltar a importância da manutenção de saúde tanto do animal, quanto dos seus tratadores, intimamente associado ao fluxo de patógenos.

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Publicado

2026-03-23