DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DE BORDETELIOSE EM BUGIOS-RUIVOS (Alouatta guariba clamitans)
Palavras-chave:
Bordetella bronchiseptica, primatas, surtoResumo
Bordetella bronchiseptica é uma bactéria gram-negativa, móvel e com amplo espectro de hospedeiros, frequentemente associada a afecções respiratórias em mamíferos (1). Em primatas neotropicais, sua ocorrência ainda é pouco relatada. Este trabalho descreve o diagnóstico e o tratamento de bordeteliose em bugios-ruivos (Alouatta guariba clamitans) atendidos em um centro de reabilitação de fauna silvestre. Os animais acometidos haviam sido previamente resgatados em diferentes contextos, como eletrocussão e ataques por animais domésticos. O primeiro caso foi identificado em um indivíduo alocado em recinto externo, sem histórico de contato com cães. Nas semanas seguintes, outros quatro bugios passaram a apresentar sinais respiratórios semelhantes, caracterizando um possível surto. Ao todo, foram acometidos cinco indivíduos (dois machos e três fêmeas), entre adultos e filhotes, com pesos variando entre 795 g e 2,6 kg. Os sinais clínicos observados incluíam espirros e secreção nasal serosa a mucopurulenta (Figura 1). Amostras dessa secreção foram submetidas à cultura bacteriana, com isolamento de B. bronchiseptica (Figura 2). Como terapia os animais receberam sulfametoxazol + trimetoprim (25 mg/kg, VO, BID), dipirona (25 mg/kg, VO, BID), acetilcisteína (10 mg/kg, VO, BID), além de lavagem nasal e nebulização com solução fisiológica duas vezes ao dia. O protocolo terapêutico foi realizado por dez a quinze dias, período após o qual os animais não apresentavam mais sinais clínicos. Até onde se tem conhecimento, este é o primeiro relato de tratamento de B. bronchiseptica em bugios-ruivos e os casos reforçam o potencial altamente contagioso da bactéria, cuja transmissão ocorre principalmente por aerossóis (2). Um exemplo notável da gravidade da infecção é o surto descrito em saguis-de-tufo-branco (Callithrix jacchus), cujos sinais variaram de rinite leve a pneumonia e morte súbita (3). De acordo com a literatura há recomendação terapêutica para tratamento de infecções causadas por este agente. Em cães, o tratamento recomendado inclui antibioticoterapia baseada em antibiograma, além de nebulização e/ou suporte nutricional (2). A escolha pelo uso de sulfametoxazol + trimetoprim se baseou na indicação terapêutica e na boa biodisponibilidade, sua distribuição eficaz no trato respiratório e facilidade de administração oral (4). Apesar de infrequente, a bordeteliose deve ser considerada como diagnóstico diferencial em casos de afecções respiratórias de primatas não-humanos, inclusive em vida livre. Além disso, devido ao potencial zoonótico de B. bronchiseptica, a vigilância e o manejo adequado são essenciais para minimizar riscos à saúde pública. Em humanos, a infecção pela bactéria é rara, mas pode ocorrer, principalmente em indivíduos imunocomprometidos (5)
