TRATAMENTO POR SEGUNDA INTENÇÃO EM FRATURA DE CASCO DE JABUTI-PIRANGA (Chelonoidis carbonaria) EM REABILITAÇÃO

Autores

  • Amanda Vitória Dornelas da Silva
  • Giulia Moreira Diniz
  • Adiellen Murta Palma
  • Gustavo Henrique Santos Ribeiro
  • Marcelly de Souza Costa
  • Thiago Lima Stehling
  • Érika Procópio Tostes Teixeira

Palavras-chave:

Quelônios, Tratamento de ferida, Laserterapia

Resumo

Introdução: O jabuti-piranga (Chelonoidis carbonaria) é um quelônio da família Testudinidae que comumente dá entrada no Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) mediante apreensão, entrega voluntária ou recolhimento. Uma das principais casuísticas envolvendo essa espécie é a fratura de casco. Embora nem sempre seja possível identificar a causa da lesão, suspeita-se que estejam relacionadas a atropelamentos, quedas ou ataques de animais domésticos. Esse trabalho tem como objetivo apresentar o tratamento de ferida por segunda intenção em uma fratura de casco de um indivíduo de Chelonoidis carbonaria recebido em um CETAS. Relato de caso: Uma fêmea de jabuti-piranga (Chelonoidis carbonaria), com 1,245 kg, foi recebida em um CETAS com histórico de atropelamento. O animal chegou ativo e apresentava uma fratura na lateral do casco (Figura 1A). A lesão apresentava sangramento, exposição da musculatura e lacerações ao redor da fratura. Foi iniciado um protocolo medicamentoso com tramadol (10 mg/kg), meloxicam (0,1 mg/kg) e enrofloxacino (5 mg/kg), sendo que o antibiótico era administrado a cada 48 horas. Além disso, realizava-se desbridamento e limpeza das feridas com solução dergemante de clorexidina à 2% e soro fisiológico, seguida da aplicação de antimicrobiano tópico. Por fim, era aplicado um curativo hidrocolóide. Após uma semana, o protocolo foi alterado: os medicamentos foram suspensos e, após a limpeza da lesão, foi iniciada a terapia com laser (Figura 1B), utilizando-se inicialmente o laser azul por 20 segundos, com ação bactericida, seguido da aplicação combinada dos lasers infravermelho e vermelho, com dose de 4 joules, com o objetivo de auxiliar na cicatrização. Em seguida, aplicava-se hidrogel, criando um meio úmido propício à regeneração tecidual, e a ferida era protegida com um adesivo transparente. Esse protocolo era realizado duas vezes por semana. Após um mês de tratamento com o novo protocolo, observou-se boa evolução da cicatrização, com formação de tecido de granulação (Figura 2A). Ao final de três meses, a fratura e as lacerações apresentavam cicatrização satisfatória (Figura 2B), e o animal foi considerado apto para soltura, com base também em seu comportamento. Discussão: Tendo em vista que a cicatrização de feridas em répteis geralmente progride de forma semelhante à de outros animais, mas em um ritmo mais lento, devido ao seu metabolismo (1), o protocolo foi escolhido para ser a longo prazo e conservador devido a vitalidade do animal e ausência de comprometimento interno. Apesar da pouca literatura sobre laserterapia em quelônios, o uso dela pode ser ferramenta eficaz na promoção da cura em pacientes répteis e pode ser usado para promover a epiteliogênese e a cicatrização de tecidos, analgesia e efeitos anti-inflamatórios (2), por meio da interferência na síntese de prostaglandinas (3). Conclusão: O tratamento conservador, aliado à laserterapia e ao uso de curativos modernos, mostrou-se eficaz na cicatrização por segunda intenção de fratura de casco em Chelonoidis carbonaria. A resposta positiva ao protocolo reforça a viabilidade de abordagens não invasivas em quelônios com bom estado geral, destacando a importância da individualização do manejo e do uso de terapias complementares na reabilitação de animais silvestres. 

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Publicado

2026-03-23