USO DE BANDAGEM COM PELE DE TILÁPIA EM AMPUTAÇÃO DE MEMBRO EM Alouatta guariba clamitans
Palavras-chave:
Curativos biológicos, Queimaduras, Tratamento de feridasResumo
Introdução: Os bugios-ruivos (Alouatta guariba clamitans) sofreram uma drástica redução populacional por surtos de febre amarela entre 2016/2018, especialmente em São Paulo (1,2). Essa queda é preocupante, pois a espécie desempenha um papel ecológico fundamental, tornando importante sua preservação (1,2). Ademais, os bugios enfrentam ameaças antrópicas, como os acidentes elétricos (1). Em casos de queimaduras e feridas cutâneas (3), a pele de tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) se mostra eficaz no tratamento, devido às suas propriedades antimicrobianas, elevada resistência mecânica, boa biocompatibilidade e alta concentração de colágeno tipo I, favorecendo a cicatrização (4). Este trabalho relata o uso da pele de tilápia na cicatrização da amputação de membro pélvico de bugio-ruivo. Relato de Caso: Um indivíduo de bugio-ruivo, fêmea, advindo de vida livre, foi entregue a uma Instituição de Resgate de Fauna em São Paulo, em 21/03/2025, com queixa de ferimento. Ao exame clínico, sob contenção física e química, o animal estava caquético, pensando 2,2kg, apático e desidratado. Constatou-se lesão em membro pélvico esquerdo com necrose seca, exposição de falanges, odor fétido e larvas de miíase, e em membro torácico direito observou-se lesão de 0,5 cm, compatível com queimadura, levando a hipótese de quadro por eletroplessão. Diante da impossibilidade de retorno funcional do membro, optou-se pela amputação da porção acometida e estabeleceu-se protocolo pós-operatório (Tabela 1), além de prescrição oral de antibiótico, anti-inflamatório, suplemento vitamínico e analgésico. Os curativos convencionais se estenderam por um mês (Tabela 1), exigindo a sedação do animal. No dia 23/04, após múltiplas tentativas terapêuticas, caracterizadas pela ausência de evolução da lesão, optou-se pela alteração de conduta, instituindo o uso de curativo com pele de tilápia. As peles foram preparadas conforme referência (4,5) por uma universidade e doadas à instituição. Para o curativo, realizou-se a limpeza da lesão com clorexidina aquoso e aplicação de glicerina na pele e na ferida, fechando com rayon, gaze, micropore e esparadrapo. Os curativos eram trocados a cada 4 dias e sem término definido. Em 10/05, o tratamento foi alterado para a cada 7 dias devido a boa evolução da lesão em relação à nova terapia. Em 21/06, observou-se que a lesão apresentava-se praticamente cicatrizada, sendo, portanto, suspensos os curativos com pele de tilápia. Em 27/06, o paciente foi reavaliado e recebeu alta clínica (Tabela 2). Discussão: O tratamento com pele de tilápia demonstrou resultados superiores aos métodos convencionais, favorecendo a granulação e cicatrização da lesão. A mudança terapêutica reduziu o número de trocas de curativos e consequentemente as contenções químicas realizadas no animal, contribuindo para o seu bem-estar e recuperação. Conclusão: Este relato expõe a eficácia do uso do curativo biológico para acelerar a cicatrização da lesão causada pela amputação de membro pélvico em bugio-ruivo (Tabela 2). Assim, o aproveitamento das peles de tilápia reduziram o custo do tratamento e o tempo de internação do animal. Essa ação promove o bem-estar animal ex situ, de importância na preservação de uma população de segurança, para a conservação da espécie.
