SOBRE AUSÊNCIAS: fabulações algorítmicas como contra-arquivo
Palavras-chave:
Arquivo, Tecnoimagens, Cultura Visual, Gênero e Sexualidade, FotograficidadeResumo
Neste texto, a criação de imagens técnicas é pensada como dispositivo político na produção de contra-arquivos. Propõe-se um estudo a partir de duas intervenções artísticas: Removed (1999), de Naomi Uman, e Álbum de Desesquecimentos (2020), de Mayara Ferrão, que elaboram a ideia de ausência, seja pelo gesto de apagamento, seja pelo ato de tornar visível. As artistas, através da manipulação crítica dos processos de programação de imagens, questionam a própria noção de arquivo ao desafiar normativas da cultura visual estabelecidas pelo viés de gênero e sexualidade. Pontua-se, nos debates sobre fotograficidade e memória, visualidade e visibilidade, como processos criativos podem agir como contra-dispositivos resistentes à violência arquivística. Entende-se que apagamento e reconstrução são práticas que coexistem no processamento das ausências na cultura visual - que coloca as lembranças produzidas no centro da projeção de futuros -, podendo também ser especulativas ou emancipatórias.