FARMACOLOGIA DA TÉCNICA: desafios epistemológicos da comunicação em tempos de inteligência artificial
Palavras-chave:
Inteligência Artificial, Epistemologia da Comunicação, Racionalidade ComputacionalResumo
A ascensão das inteligências artificiais generativas tem sido apresentada como capaz de desestabilizar os pilares epistemológicos da comunicação, reativando debates sobre incomunicabilidades, simulacros e o esgotamento da noção de mediação técnica, levando o campo a oscilar entre a celebração e a denúncia de seus riscos. Este artigo desloca essa polarização por meio da perspectiva farmacológica, retomando a abordagem de Derrida e aprofundada por Stiegler. Argumenta-se que a IA não inaugura a ambivalência da técnica, mas a exacerba, produzindo efeitos terapêuticos e tóxicos sobre a comunicação. A partir desse diagnóstico, analisa-se a toxicidade algorítmica como patologia da atenção, associada à redução da comunicação à eficiência e à previsibilidade estatística. Por fim, a análise conduz à noção de uma terapêutica da IA, orientada pelo cuidado e pela valorização do incalculável como condição para a preservação da comunicabilidade em contextos de governamentalidade algorítmica.