EPIFANIAS, METAMORFOSES E TRANSMUTAÇÕES. A Imaginação dos afetos na obra ‘O Filho de Mil homens’
Palavras-chave:
Imaginário masculino, Crise do patriarcado, AncestralidadeResumo
Este trabalho busca compreender como o filme ‘O Filho de Mil Homens’ (Daniel Rezende) traduz a linguagem do livro homônimo de Valter Hugo Mãe para o cinema. Como transmuta o universo dos personagens, o regime dos afetos, códigos sociais e valores morais, numa iconologia que desconstrói os signos do universo machista-patriarcal. A obra se empenha numa nova construção do imaginário masculino, focando o protagonista, um pescador e seu desejo da paternidade. Sua história se entrelaça com as de outros personagens, vistos como ‘anormais’ pela comunidade: um menino órfão (filho de uma anã morta), um gay condenado pela sociedade, uma mulher desonrada, e excluída socialmente. A fotografia do filme desvela o ‘mistério da conjunção’ entre estranhos que tecem um novo conceito de família, afeto e vida comunitária. Um ritual de ‘tecnomagia’ que epifaniza o encontro do homo sapiens e as forças ocultas da ancestralidade.