INFLUÊNCIA DA DIVERSIDADE GENÉTICA CULTIVO DE FIBROBLASTOS EM ESPÉCIES DE ARARAS AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO

Autores

  • Julia Roismann
  • Ricardo José Garcia Pereira

Palavras-chave:

Banco de germoplasma, Endogamia, Psitacídeos

Resumo

A conservação de aves silvestres, particularmente psitacídeos, vem enfrentando desafios cada vez mais urgentes devido à perda de habitat, mudanças climáticas e tráfico ilegal (1). A redução populacional intensifica a endogamia, resultando em perda de diversidade genética (DG), um aspecto fundamental quando falamos sobre a conservação dessas espécies, uma vez que fatores como esses podem influenciar estratégias de conservação como o cultivo celular e o armazenamento desse material genético em biobancos (2). Diante disso, o uso de fibroblastos como modelo celular para biobancos e estudos comparativos oferece uma ferramenta promissora, especialmente por sua fácil obtenção a partir de penas em crescimento e boa resposta ao cultivo in vitro (3). Este trabalho tem como objetivo avaliar a influência da DG sobre o desempenho de fibroblastos cultivados in vitro, obtidos a partir de três espécies de araras (A. hyacinthinus (AH); A. leari (AL) e C. Spixxi (CS)) com diferentes gargalos populacionais.  Serão coletadas penas em estágio inicial de desenvolvimento, para a obtenção da massa celular, e posteriormente no cultivo celular. Elas foram retiradas dos indivíduos mantidos no Zoológico de São Paulo (CEUA Nº 3833110425), e levadas para o processamento em laboratório. As diferentes linhagens celulares são cultivadas, e após três passagens para a sua multiplicação, são criopreservadas. Futuramente serão avaliados parâmetros de viabilidade celular (ensaio MTT), proliferação (citometria de fluxo, índice mitótico, doubling time) e resposta ao estresse térmico (lactato e espécies reativas de oxigênio – EROs) (Figura 1). Até o momento, foram cultivadas linhagens de fibroblastos de sete indivíduos de AH e dez de AL. Os cultivos de AL exigiram maior tempo médio até o congelamento em comparação com a AH (20,7 dias e 15,9 dias respectivamente), a média entre a 1º e 2ª passagem e a 2º e 3ª passagem para a AH foi respectivamente 0,691 e 0,836 dias, enquanto as medias da AL foram respectivamente 1,279 e 1,346 dias, indicando uma possível relação entre diversidade genética e dinâmica de proliferação celular. A comparação entre sexos mostrou tendência semelhante: machos apresentaram maior concentração inicial (757,5 × 10³ células/ml), final (1,61 × 10⁶ células/ml) e de crescimento (116,2%) em relação às fêmeas (608,6 × 10³; 1,33 × 10⁶; 107,8%, respectivamente). A análise de correlação de Pearson indicou associação moderada entre o tempo de cultivo e o crescimento celular (r = 0,44), bem como com a viabilidade final (r = 0,43), enquanto a viabilidade inicial não mostrou relação significativa (r = –0,07). Esses achados iniciais do estudo sugerem que, apesar de possíveis limitações genéticas, AL e indivíduos fêmeas, podem atingir bons níveis de expansão celular desde que recebam tempo adequado de cultivo, o que reforça a importância de ajustar protocolos de cultivo celular com base em parâmetros fisiológicos específicos. O uso de células somáticas como ferramenta conservacionista reforça a importância da criação de biobancos celulares em estágios anteriores à perda crítica de variabilidade genética. A continuidade deste estudo fornecerá dados inéditos que poderão embasar estratégias mais eficazes de conservação ex situ para espécies em risco.

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Publicado

2026-03-18