MENSURAÇÃO NÃO INVASIVA DA TEMPERATURA DE GIRAFAS
Palavras-chave:
Animal welfare, Monitoring, ,thermometryResumo
Introdução: A determinação da temperatura corporal é um indicador fundamental de saúde animal (1). Em girafas (Giraffa camelopardalis), a medição é desafiadora devido ao tamanho e reatividade, sendo a temperatura retal normal de 38,5±0,5°C (2). A termometria retal, embora amplamente utilizada, é invasiva, estressante e potencialmente perigosa, podendo causar reações violentas e lesões (3). A termometria infravermelha surge como alternativa promissora, permitindo medições à distância (4) e menor estresse de contenção. Pesquisas indicam que as regiões ocular e malar refletem melhor a temperatura interna, pois a temperatura superficial varia conforme a parte do corpo e a cor das pintas (5). Material e Métodos: O estudo (CEUA/FOA protocolo 332/2024) foi conduzido com 14 girafas (6 machos, 8 fêmeas) de 3,5 a 4 anos, previamente condicionadas. Os dados foram coletados quatro vezes ao dia por 15 dias. Termômetros de não contato foram calibrados com a temperatura ambiente. A temperatura retal foi aferida em machos com termômetro digital, enquanto as temperaturas oculares e malares foram registradas em ambos os sexos com termômetro infravermelho (TESTO) e termógrafo (Flir C3), sem contenção, a 1 metro de distância, com emissividade de 0,95 (figura). A análise incluiu ANOVA de medidas repetidas e modelos de regressão, comparando a temperatura retal dos machos com as temperaturas dos dois termômetros nas regiões ocular e malar. Resultados e Discussão: Para o termômetro infravermelho na região ocular, a correlação com a temperatura retal foi praticamente nula (r = 0,0069), sem significância estatística (p = 0,940). Na região malar, apresentou correlação negativa igualmente trivial (r = -0,0269; p = 0,767). Já o termógrafo na região ocular mostrou correlação positiva moderada com a temperatura retal (r = 0,4011; p = 0,001) e baixo erro estimado (0,02%). Na região malar, a correlação foi trivial (r = 0,0240; p = 0,792). Apenas a mensuração ocular pelo termógrafo apresentou associação consistente com a temperatura retal, sugerindo maior sensibilidade dessa região para refletir a temperatura central. A vascularização abundante e menor espessura tecidual ocular favorecem a condução térmica, enquanto a malar, mais exposta e com maior espessura, apresenta maior dispersão térmica. A ausência de correlação para o termômetro infravermelho pode estar ligada à menor sensibilidade do sensor ou maior suscetibilidade a interferências ambientais. Conclusão: Na avaliação de temperatura de girafas de forma menos invasiva, entre dois termômetros de não contato aplicados nas regiões ocular e malar, somente a câmera termográfica na região ocular mostrou resultados próximos ao termômetro digital retal. Conclui-se que o uso do termógrafo, calibrado à temperatura ambiente e aplicado no local adequado, pode substituir com segurança o termômetro retal em contextos clínicos e de manejo, com erros de predição inferiores a 0,3°C. A implementação da termografia ocular aprimora práticas de avaliação, monitoramento e diagnóstico em girafas, reduzindo estresse e contenção e proporcionando monitoramento prático e preciso.
PROCESSO FAPESP 2024/21445-5
