INFLUÊNCIA DE VARIÁVEIS AMBIENTAIS DA CAATINGA SOBRE CARACTERÍSTICAS CINÉTICAS DE ESPERMATOZÓIDES DE Galea spixii
Palavras-chave:
Caviidae, Conservação, SemiáridoResumo
O preá (Galea spixii), roedor da família Caviidae, é comum no Brasil, especialmente na Caatinga. Porém, este bioma tem sido ameaçado por degradação, desmatamento e desertificação por ações antrópicas, tornando-o vulnerável às mudanças climáticas e, desse modo, podendo afetar a sobrevivência das populações das espécies que ali habitam. Nesse sentido, objetivou-se verificar como as variáveis meteorológicas da Caatinga podem influenciar as características cinéticas de espermatozoides epididimários de G. spixii. Durante o período chuvoso, seis machos adultos oriundos de criatório científico foram contidos, anestesiados e eutanasiados (CEUA n° 33/2024; SISBIO n° 66618-5). O complexo testículo-epididimário foi recuperado, dissecado e submetido à técnica de lavagem retrógrada do epidídimo para recuperação dos espermatozoides¹. As amostras foram avaliadas por análise espermática auxiliada por computador (CASA) quanto aos parâmetros cinéticos: motilidade total e progressiva, velocidade média do trajeto (VAP), velocidade progressiva (VSL), velocidade curvilínea (VCL), amplitude do deslocamento lateral da cabeça (ALH), frequência do batimento cruzado (BCF), retilinearidade (STR), linearidade (LIN) e os parâmetros de movimentação rápida, média, lenta e estática. Os dados meteorológicos foram obtidos por meio de uma estação meteorológica local, considerando-se 1, 14 e 55 dias antes da coleta das amostras. Essas datas foram definidas com base na duração da maturação espermática e espermatogênese² em roedores filogeneticamente próximos aos preás³. Os dados foram expressos como média e erro padrão, e analisados pelo teste de correlação de Spearman que avaliou potenciais relações entre as variáveis ambientais e os parâmetros cinéticos espermáticos (P < 0,05). O CASA revelou que todos os animais apresentaram motilidade total acima de 70%, mas ressalta-se a variabilidade entre os animais, uma vez que o indivíduo A6 apresentou 26% de espermatozoides estáticos, bem como os menores valores para a maioria dos parâmetros cinéticos (Tabela 1). Ademais, verificaram-se evidências de que temperatura e, principalmente, radiação solar influenciam os parâmetros cinéticos espermáticos de G. spixii, em especial, no decorrer dos 14 dias anteriores à coleta (Tabela 2). Esses resultados indicam que o estresse térmico, mesmo durante o período chuvoso, pode comprometer a maturação espermática da espécie, impactando sua capacidade reprodutiva4. Assim, conclui-se que as variáveis ambientais, em especial a temperatura e a radiação solar, correlacionam-se com os parâmetros cinéticos espermáticos de preás da Caatinga. Uma vez que existem previsões de que a Caatinga deva sofrer um aumento gradativo de temperatura nos próximos anos, os dados aqui gerados trazem um alerta para o efeito dessas mudanças climáticas no padrão reprodutivo não apenas dos preás, mas de toda a vida selvagem.
