DIAGNÓSTICO DE INSUFICIÊNCIA TRICÚSPIDE E MITRAL COM DILATAÇÃO CARDÍACA EM Pogona vitticeps: RELATO DE CASO

Autores

  • Andrea Juliana Diaz forero
  • Larissa Emília Seibt
  • Eduarda Correia Avellar
  • Marcel Freitas de Lucena
  • Karoline Daynez Misson
  • Leliane Teles da Rocha Ianhes
  • Marília Rosa Alves
  • Alessandro Ferraz Abdo Bijjeni

Palavras-chave:

Cardiopatia, ecocardiografia, répteis

Resumo

Cardiopatias em répteis são pouco descritas na literatura veterinária (1). Em espécies da família Agamidae, a incidência de alterações cardiovasculares varia entre 11% e 39% (1,2). Contudo, o diagnóstico dessas doenças ocorre, na maioria das vezes, apenas postmortem (3). O presente relato descreve um caso raro de insuficiência valvar grave diagnosticada antemortem em uma Pogona vitticeps, ressaltando o processo diagnóstico e os achados clínicos. A paciente, fêmea, 1 ano de idade, pesando 542 g, foi atendida em uma clínica especializada em pets não convencionais. Apresentava aumento de volume da cavidade celomática, edema ventral facial, redução da atividade e hiporexia significativa. As condições ambientais e a dieta estavam adequadas para a espécie. Durante o exame clínico, a frequência cardíaca aferida foi de 66 bpm, caracterizando taquicardia, visto que o esperado para a espécie, segundo escala alométrica, é cerca de 45 bpm. Exames complementares incluíram radiografias, que revelaram aumento de volume uniforme na cavidade celomática compatível com líquido livre. Hemograma e leucograma estavam normais, assim como os parâmetros bioquímicos avaliados — albumina, ácido úrico, AST, CK, colesterol, fosfatase alcalina, globulina, proteína total e triglicerídeos — todos dentro dos limites fisiológicos. Esses achados descartaram causas infecciosas e metabólicas e a avaliação por imagem não indicou alterações respiratórias, sugerindo a hipótese de ascite cardiogênica. Ao ecocardiograma, paciente apresentava insuficiência de valva atrioventricular direita de grau importante (Imagem A), escape em valva atrioventricular esquerda e, aumento de câmaras cardíacas. As medidas realizadas seguiram o descrito por Silverman et al. (2016)(4). Em diástole, a medida transversal do ventrículo foi de 2,50 cm (referência: 2,02 cm) e a medida longitudinal foi de 2,02 cm (referência: 1,48 cm), com área ventricular de 3,69 cm² (referência: 2,30 cm²) — Imagem B. Já em sístole, a medida transversal do ventrículo foi de 1,98 cm (referência: 1,67 cm) e a medida longitudinal foi de 1,51 cm (referência: 1,18 cm), com área ventricular de 2,37 cm² (referência: 1,48 cm²) — Imagem C. Também, através deste exame foi possível visibilizar moderada quantidade de líquido celomático, decorrente de um quadro de insuficiência cardíaca congestiva, como suspeitado. Valvopatias em répteis são raras e usualmente diagnosticadas postmortem (3). Casos de insuficiência valvar foram descritos em serpentes, como Python molurus e Boa constrictor, e em um relato anterior de Pogona vitticeps (5). O diagnóstico antemortem é dificultado pela inespecificidade dos sinais clínicos, como edema periférico, ascite, letargia e hiporexia (5) — todos observados nesta paciente. Regurgitações valvares e disfunções miocárdicas são causas frequentes de falência cardíaca, elevando a pressão venosa e causando acúmulo de líquidos em cavidades corporais (5), como observado neste caso. Em Pogona vitticeps, exames ecocardiográficos são desafiadores devido à localização cranial do coração, protegida pela cintura peitoral e estruturas ósseas (4). Este relato reforça a importância da avaliação cardiovascular em répteis, especialmente em casos com sinais clínicos inespecíficos como ascite e edema. A ecocardiografia, apesar de suas limitações, é uma ferramenta valiosa para o diagnóstico antemortem de cardiopatias nesta ecpecie. O reconhecimento precoce dessas condições pode contribuir para melhor manejo clínico e avanço do conhecimento em medicina de répteis.

Downloads

Publicado

2026-03-22