LEIOMIOSSARCOMA UTERINO E HIPERPLASIA ENDOMETRIAL CÍSTICA MULTIFOCAL EM COELHO (Oryctolagus cuniculus): RELATO DE CASO

Autores

  • Heloísa Coppini de Lima
  • Ana Carolina Alves Pereira
  • Robert Pallone dos Santos
  • Luana Santana da Silva Muffo
  • Amanda Freire Henglem
  • Lucila Pozzi Catalan Tinoco

Palavras-chave:

alterações reprodutivas, lagomorfos, neoplasia

Resumo

Coelhos domésticos são mamíferos frequentemente mantidos como animais de companhia. Fêmeas não castradas antes dos quatro anos de idade, estão sujeitas a diversas alterações reprodutivas, como neoplasias e hiperplasia endometrial cística (1). O leiomiossarcoma, um tumor maligno mesenquimal de músculo liso, é raramente descrito na medicina de pets não convencionais, incluindo coelhos (2). Embora represente até 50% das neoplasias genitais em gatas, esse tipo tumoral corresponde a apenas cerca de 2% dos tumores uterinos em coelhas (3). Por outro lado, a hiperplasia endometrial cística é uma condição comumente observada na rotina clínica de fêmeas não castradas (1,3). Uma coelha sem raça definida, de 7 anos, não castrada, foi atendida com histórico de surgimento recente de nódulo abdominal, sem sinais clínicos sistêmicos associados. O animal era mantido em ambiente domiciliar. Ao exame físico, observou-se aumento de volume em região abdominal. Os exames laboratoriais revelaram hemograma e bioquímica dentro dos parâmetros, exceto por leucograma com desvio à esquerda (segmentados 91%, linfócitos 9%) e elevação de fosfatase alcalina (104 U/L). O eletrocardiograma indicou ritmo sinusal, sem alterações significativas. A ultrassonografia abdominal evidenciou cornos uterinos espessados (até 2,53 cm), com conteúdo luminal ecogênico heterogêneo e formações sólidas, compatíveis com processo infeccioso ou neoplásico. Alterações também foram observadas nas adrenais, especialmente a esquerda, que apresentava contorno abaulado e área hipo/anecogênica central. Além disso, notaram-se estruturas císticas multisseptadas nas cadeias mamárias inguinal e abdominal. Optou-se por intervenção cirúrgica, associada ao tratamento medicamentoso com dipirona, prednisolona e compressas mornas. A tentativa de adrenalectomia por videolaparoscopia foi interrompida devido à aderência intensa das adrenais a vasos calibrosos, o que exigiu conversão para laparotomia, na qual também se realizou a ovariossalpingo-histerectomia (OSH). As adrenais foram preservadas por inviabilidade de remoção cirúrgica, e as estruturas mamárias foram mantidas, pois já haviam reduzido ao tamanho esperado para a espécie, com o tratamento pré-operatório. Durante o procedimento, observou-se no útero uma formação de 3,0 x 1,4 cm, com superfície lisa, coloração parda e consistência fibroelástica. O animal apresentou recuperação anestésica estável e boa evolução no pós-operatório. O útero e os ovários foram enviados para exame histopatológico, que revelou proliferação de células fusocelulares dispostas em feixes desordenados, com bordas definidas, anisocitose moderada e núcleos vesiculosos com nucléolos conspícuos. Foram identificadas 13 mitoses em 2,37 mm² (aumento de 400x), confirmando leiomiossarcoma uterino. Também foram observadas áreas de hiperplasia endometrial cística, com glândulas distendidas revestidas por células cuboidais a colunares e polaridade preservada, além de congestão multifocal e infiltrado heterofílico esporádico. Embora a hiperplasia endometrial cística seja uma alteração uterina frequentemente observada em coelhas não castradas, a ocorrência juntamente com o leiomiossarcoma uterino é rara na espécie. Além disso, alterações em outros órgãos, como adrenais e glândulas mamárias, podem existir simultaneamente e influenciar o manejo e o tratamento clínico. O uso combinado de exames de imagem, avaliação laboratorial e confirmação histopatológica foi essencial para o diagnóstico definitivo, permitindo a escolha do tratamento cirúrgico mais adequado, contribuindo para melhores prognósticos na medicina de pets não convencionais.

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Publicado

2026-03-23