ADENITE SEBÁCEA EM LOBO-GUARÁ (Chrysocyon brachyurus): RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Glândula sebácea, Lesões nodulares, Patologia animalResumo
A adenite sebácea é um distúrbio de etiologia desconhecida. Hipóteses sugerem um defeito na produção de sebo, provocado por um metabolismo lipídico anormal ou uma patogênese imunomediada que leva à destruição das glândulas sebáceas(1). Os sinais clínicos incluem alopecia, hiperqueratose, foliculite e seborreia(2). O presente trabalho tem como objetivo relatar um caso de adenite sebácea em lobo-guará (Chrysocyon brachyurus). Um Lobo-Guará (Chrysocyon brachyurus), macho, de 10 anos, apresentava lesão crônica com alopecia e hiperqueratose na região sacral. Realizou-se nodulectomia, e o material foi fixado em formol a 10% até clivagem e processamento histológico no Laboratório de Histopatologia. A avaliação macroscópica constatou que o fragmento, medindo 4cm x 2,5cm x 1,2cm, era recoberto por pele, bem delimitado e firme, contendo áreas avermelhadas multifocais a coalescentes distribuídas pelo tecido (Figura 1). Ao corte, apresentou superfície irregular, brancacenta, entremeada por áreas enegrecidas, com presença de lesões botonosas (centro deprimido e halo esbranquiçado). Os achados microscópicos revelaram áreas de hiperqueratose ortoqueratótica moderada a acentuada, composta por uma queratina lamelar que preenche e dilata os folículos pilosos. Estrato córneo e granuloso moderadamente espessados, que por vezes, adentram a derme superficial. Observou-se um infiltrado inflamatório composto primariamente por células arredondadas a poligonais, de citoplasma abundante, bem delimitadas, com núcleos arredondados e cromatina pontilhada distribuídas pela derme superficial e profunda. Além disso, notou-se o mesmo infiltrado entremeando e expandindo os epitélios das glândulas sebáceas (Figura 2), das regiões perivasculares e perineurais. Desta forma, os achados macroscópicos e histopatológicos permitiram o diagnóstico de adenite sebácea associada a dermatite linfo-histiocítica. A ocorrência da adenite sebácea já foi descrita em outras espécies de mamíferos, incluindo coelhos, gatos, cavalos e humanos(1, 3). Este é o primeiro caso reportado em um canídeo silvestre, lobo-guará (Chrysocyon brachyurus). A extensão e gravidade da doença variam de acordo com a raça, tipo de pelagem do animal e cronicidade da doença(2). Observou-se, neste caso, achados histopatológicos semelhantes à adenite sebácea crônica, descrita em cães de pelagem curta. A literatura relata hiperqueratose ortoqueratótica e hiperplasia epidérmica irregular, associada à presença de lamelas de queratina dispostas verticalmente, as quais aparentam “erupcionar” a partir dos óstios foliculares(4). Na histologia das fases iniciais da doença, observa-se um infiltrado inflamatório neutrofílico a piogranulomatoso, centrado ao redor e dentro das glândulas sebáceas. Conforme a progressão da doença, um infiltrado granulomatoso ou linfocítico é mais comum(3). Um estudo retrospectivo envolvendo 104 casos de adenite sebácea em cães na Suécia revelou que 43% dos animais apresentavam enfermidades crônicas concomitantes(5). Tal achado corrobora o caso descrito no presente relato, no qual o animal apresentava síndrome da cauda equina. Dessa forma, conclui-se que a avaliação histopatológica é fundamental para o diagnóstico definitivo da adenite sebácea, pois permite a diferenciação entre processos inflamatórios e eventuais neoplasias. São necessários estudos adicionais para investigar a possível correlação entre a síndrome da cauda equina e a adenite sebácea. Para conhecimento dos autores, este é o primeiro relato de adenite sebácea em canídeos silvestres.
