HIPERPLASIA DE CENTROS MELANOMACRÓFAGOS EM TECIDO HEPÁTICO DE Phrynops geoffroanus
Palavras-chave:
Fígado, Histopatologia, RépteisResumo
Melanomacrófagos (MM) são células fagocitárias pigmentadas encontradas em tecidos linfoides de animais pecilotérmicos. A cor escura dessas estruturas se dá pelo acúmulo de pigmentos de melanina, lipofuscina e hemossiderina, tornando-os facilmente distinguíveis nos tecidos (1). Agregados de melanomacrófagos são denominados Centros Melanomacrófagos (MMCs, do inglês melanomacrophage centers) e, em geral, consistem em estruturas difusas e menos organizadas em rim e fígado, enquanto são bem organizados no tecido esplênico (2). Material e métodos: Um exemplar de Phrynops geoffroanus, macho, adulto, foi encaminhado para necropsia após ser encontrado morto no recinto do centro de reabilitação onde havia sido recebido após resgate, sem apresentar sinais clínicos prévios. Resultados: No fígado foram observados, entremeando os cordões de hepatócitos, áreas multifocais a coalescentes, aleatórias, constituídas por agregados celulares (de tamanhos variados) compostos por células globosas, de núcleo redondo, excêntrico, citoplasma amplo e preenchido por grande quantidade de grânulos marrom escuros a enegrecidos, por vezes encobrindo completamente o núcleo. A morfologia desses agregados são condizentes com Centros Melanomacrófagos, os quais estavam, por vezes, associados a secções longitudinais intra e extravasculares, de aproximadamente 10 a 15 micrômetros de diâmetro, e 150 a 250 micrômetros de comprimento, e cutícula fina eosinofílica, sugestivas de larvas de nematódeos rabditiformes (Figura 1). Discussão: O diagnóstico de hiperplasia de MMCs associado a nematódeos intravasculares em fígado de Phrynops geoffroanus foi estabelecido a partir dos achados histopatológicos. MMCs são descritos em peixes, anfíbios e répteis (3), nos quais exercem tanto função não imunológica quanto imunológica. A função imunológica de MMCs está atrelada à fagocitose de agentes infecciosos e foi descrito, in vitro, em tartarugas com infecções bacterianas, fúngicas e parasitárias (4). Esses resultados reforçam que, dada a pigmentação inerente aos melanomacrófagos, a resposta de MMCs a patógenos pode ser facilmente visualizada e quantificada em microscopia óptica, sem a necessidade de reagentes caros específicos para cada espécie (3), particularmente em tecidos autolisados. Além disso, hiperplasia de MMCs pode ser um indicador útil da resposta imune pecilotérmica bem como da saúde ecossistêmica (5). Pelo conhecimento dos autores, não há dados publicados sobre a atividade dos melanomacrófagos em Phrynops geoffroanus. Conclusão: A avaliação desses centros foi possibilitada mesmo ante moderado a avançado estado de autólise. Frequentemente o diagnóstico patológico em répteis é prejudicado devido às condições de conservação do cadáver, e isso se dá, em parte, pelo aumento da temperatura intracelomático conferido pela espessura de carapaça e plastrão. Dessa forma, mesmo diante de amostras autolisadas, a avaliação histopatológica de centros de melanomacrófagos (MMCs) pode contribuir no diagnóstico post mortem de pecilotérmicos, e consistir em uma medida simples e rotineiramente aplicável na interpretação do status imunológico desses animais, bem como para a verificação da saúde dos ecossistemas.
