FANTASMAS, PERNAS VOADORAS, VAMPIROS E OUTROS MONSTROS: o insólito na ficção latino-americana
Palavras-chave:
Ficção Latinoamericana, Insólito, O Agente SecretoResumo
O presente artigo articula textos ficcionais e teóricos selecionados para refletir sobre o papel do insólito na ficção latinoamericana atual. Entendido como um dispositivo de transgressão das convenções realistas para representar traumas históricos e singularidades das nossas culturas, o insólito parece surgir como instrumento de representação crítica da violência que constituiu a dominação colonialista e sua continuidade na forma de terror de estado e processos de exclusão capitaneados pelas classes dominantes locais. A relação entre a construção da temporalidade narrativa e o recurso ao insólito é analisada destacando-se em obras como O Conde (Pablo Larraín, 2023) e O Agente Secreto (Kleber Mendonça, 2025), dentre outras, a opção por uma temporalidade fantasmática, em que passado e presente se sobrepõem, na qual aparições intempestivas comprometem a ordem de sucessão do tempo histórico, as continuidades aparentes.