CINEMA-RITUAL, IMAGEM-DEVIR: o mito das Yãmiyhex e os regimes de visualidade no cinema e na instalação de Sueli Maxakali
Palavras-chave:
Cinema indígena. Regime de visualidade. IntermedialidadeResumo
Neste artigo partiremos da análise do filme Yãmiyhex: as mulheres-espírito (2019) e da instalação artística Kũmmxop koxuk yõg: Os espíritos das minhas filhas (2021) de autoria da cineasta e artista Sueli Maxakali (em coautoria com Isael Maxakali, no caso do filme), para discutir como o regime de visualidade da cultura Tikmũ´ũn coloca em questão dicotomias da cultura dita ocidental como: matéria e espírito, imagem e corpo, visível e invisível, feminino e masculino. Para tal, recorreremos a estudos da antropologia (TUGNY, ROMERO, VIVEIROS DE CASTRO), assim como ao extenso trabalho realizado por pesquisadores do cinema brasileiro contemporâneo a respeito do cinema indígena (sobretudo André Brasil), além de mobilizarmos autores do campo da estética e da filosofia (RANCIÈRE, DELEUZE). A compreensão da permeabilidade entre essas esferas na cosmologia indígena nos ajuda a compreender novas formas de intermedialidade na imagem contemporânea.