TRADUZIR UM MITO: a comunidade da Ilha dos Lençóis e o sebastianismo maranhense
Palavras-chave:
Encantaria, Sebastianismo, Semiótica da cultura, Tradução interculturalResumo
Diz o mito que o corpo de rei Sebastião, desaparecido na Batalha de Alcácer Quibir, norte da África, em 1578, jamais fora encontrado. Um dos mitos político-religiosos mais duradouros do mundo lusófono, o sebastianismo encontra, na cultura maranhense, uma forma singular de reinscrição: a Encantaria. Na Ilha dos Lençóis, o rei não está nem vivo nem morto: ele aparece encantado na forma de um touro. Em diálogo com os estudos da semiótica da cultura e da noção de tradução intercultural, de Iuri Lotman, este trabalho objetiva refletir como se dá o processo de tradução da narrativa mítica por essa comunidade que dela se apropria e por meio dela se vincula. Aqui, são apresentadas considerações nascidas da observação participante da cultura local e identificadas singularidades do sebastianismo maranhense. Por fim, a lenda do Touro Encantado, a religião afro-brasileira Tambor de Mina e a festa do Bumba Meu Boi são apresentados como tradução, formas populares de fazer permanecer vivo o mito.