DO PELOURINHO À TELA: regimes de visibilidade e violência estatal nas imagens de operações policiais nas favelas do Rio de Janeiro
Palavras-chave:
Regimes de visibilidade, Violência estatal, Fotojornalismo, Operações policiais, Favelas do Rio de JaneiroResumo
O artigo investiga regimes de visibilidade e violência estatal em imagens de operações policiais nas favelas do Rio de Janeiro. Objetiva compreender como a circulação fotojornalística atualiza uma gramática visual da punição e contribui para a legitimação social da letalidade. Adota método qualitativo, com análise comparativa de imagens históricas (Canudos, cangaço/Lampião, Carandiru) e de fotografias publicadas em O Globo sobre operações no Complexo do Alemão (2022) e a Operação Contenção (2025), observando padrões de composição, hierarquias e exposição do corpo morto. O referencial articula Foucault (regimes de visibilidade e soberania), Pross (estruturas pré-predicativas e sincronização social), Durand (metáforas obsessivas), Belting (dimensões da imagem), além de Silva e Kamper (tátil/afetivo). Conclui-se que, apesar de variações textuais, persiste uma gramática imagética estável que afeta a produção de sentido antes do discurso e naturaliza a violência contra corpos periféricos.