Escuta multissensorial e audibilidades não-normativas: (res)significando o ASMR a partir de leituras feministas e dos Disability Studies
Palavras-chave:
ASMR, Audibilidades não-normativas, Disability StudiesResumo
O artigo procura demonstrar como o ASMR se constitui enquanto campo de disputas ao, por um lado, reforçar padrões normativos e inserir-se perfeitamente bem em uma arquitetura contemporânea de desgastes e esgotamentos; e, por outro, apontar para possíveis experiências de escutas favoráveis a audibilidades não-normativas. Primeiro, traçamos um panorama histórico do ASMR e apresentamos os estudos contrastantes de diversas teóricas feministas sobre o campo. Em seguida, esmiuçamos duas obras audiovisuais que colocam a sensorialidade de pessoas com deficiência em primeiro plano: In My Language (2007), realizado por Mel Baggs, pessoa autista e não-binária; e Touch the Sound (2004), documentário dirigido por Thomas Riedelsheimer sobre a trajetória de Evelyn Glennie, percussionista escocesa surda. Encontramos nos dois filmes abordagens que nos permitem ressignificar o ASMR a partir de experiências que colocam em xeque regimes normativos de escuta.