Duplicidades do envelhecimento feminino no cinema de horror, e no corpo monstruoso de "A Substância"
Palavras-chave:
Cinema de horror, Monstruoso feminino, A SubstânciaResumo
Partindo de um gesto metodológico forjado pelas duplicidades inerentes à mulheridade no capitalismo patriarcal – a cisão hierarquizante entre corpo e mente e a cisão psíquica própria ao envelhecimento feminino, segundo Simone de Beauvoir –, discutiremos como o filme A Substância nutre afetos tristes que arrefecem as lutas feministas, ao mesmo tempo em que dispara uma energia política que insiste em fagulhar de suas brechas. Analisaremos como essas dimensões duais são operadas por Coralie Fargeat num plano discursivo, no cotejo de seu filme com obras do cinema de horror que lhe antecedem, assim como nas implicações da escolha metralinguística de Demi Moore como sua protagonista. Por fim, nos deteremos no tratamento narrativo, estético e háptico da relação entre Elizabeth Sparkle e sua outra-jovem, Sue, procurando compreender como a A Substância maneja os tropos da abjeção e do “monstruoso-feminino” (Creed, 2007) envelhecido.