ESCRITAS DA PRESENÇA E DA AUSÊNCIA EM JOAN DIDION: luto e memória nas discrepâncias entre os livros Noites Azuis e Para John
Palavras-chave:
Memória, Luto, Joan DidionResumo
O presente artigo analisa duas obras da jornalista e escritora estadunidense JoanDidion – Noites Azuis (2012c) e Para John (2025) –, propondo o debate sobrecomo escritas da presença e da ausência se configuram nos trabalhosmemorialísticos da autora. A reflexão se detém nas discrepâncias existentes nasformas como Didion retrata sua filha, Quintana Roo, nos dois livros. Em NoitesAzuis, ela relata o trauma da morte de Quintana em um título publicado em vida eque biografa a filha a partir de sua ausência e do luto. Para John é resultado deanotações feitas por Didion quando Quintana lutava contra o alcoolismo e adepressão, elaboradas após sessões de terapia da mãe. Trata-se de um livropóstumo, que Didion não procurou publicar em vida. As dinâmicas da memória,circunstaciadas de maneiras específicas em cada obra, revelam como a autoraperfilou sua filha em diferentes versões, impactada pelos momentos em queQuintana estava presente ou ausente de sua vida.