A PRISÃO COMO FIM DO JORNALISMO
Palavras-chave:
Jornalismo. Prisão. NarrativaResumo
Este artigo analisa o encerramento recorrente das narrativas jornalísticas sobre crimes em portais de Minas Gerais, defendendo que a prisão opera como desfecho padronizado e quase naturalizado das notícias. A partir da análise de 765 matérias coletadas em cinco veículos, argumenta-se que o jornalismo tende a suspender a história no momento do encaminhamento ao sistema prisional, estabilizando sentidos e reforçando a equação “crime = pena”. No texto, sustenta-se que tal gesto narrativo contribui para a naturalização do encarceramento e para a limitação de outros desdobramentos possíveis. Ao encerrar antes dos portões da prisão, o jornalismo não apenas informa, mas organiza o tempo do acontecimento e reinscreve uma política de visibilidade que consolida a prisão como desfecho legítimo e não discutível.