GERTRUDES E MIRTES: do silenciamento à agência na disputa pela memória da maternidade negra na imprensa (1890 - 2020)
Palavras-chave:
Maternidade negra, Memória, Discurso midiáticoResumo
A maternidade negra é um campo de intensas disputas. Este artigo propõe análise de narrativas sobre mães negras em dois períodos: o final do século XIX (1890) e os dias atuais (2020). No alvorecer da República, tomamos como exemplo Gertrudes do Rosário, ex-escravizada que protagonizou um rapto para resgatar a própria filha. O contraponto contemporâneo é o caso Mirtes e Miguel, em que uma mulher negra perdeu o filho de cinco anos enquanto exercia a função de empregada doméstica. Os dois recortes possibilitam avaliar contextos sociais que cerceiam a maternidade negra no País. Por meio de análises de conteúdo e discursiva, examinamos como periódicos, em edições de jornais impressos oitocentistas e conteúdos nas plataformas digitais, contribuem para a perpetuação ou desconstrução de estereótipos, a promoção da visibilidade e a luta por justiça. Fundamentado nos conceitos de memória, interseccionalidade e na literatura historiográfica, revela uma transição do silenciamento para a agência.