DOMESTICANDO O ASSOMBRO: estratégias de mediação entre tradição oral e literatura infantil
Palavras-chave:
Domesticação narrativa, Horror, Conto de fadasResumo
Este artigo investiga os processos de domesticação narrativa na adaptação de histórias folclóricas para o público infantil, tomando como corpus Histórias que mamãe contava (2015), de Marilda L. Maués, coletânea de 14 narrativas orais da região de Bragança (PA). Combinando análise de conteúdo com revisão teórica sobre literatura infantil, contos de fadas e horror infanto-juvenil, o estudo examina como elementos insólitos são sistematicamente domesticados mediante quatro estratégias: instrumentalização disciplinadora do medo, moralização de entidades ameaçadoras, finais restauradores da ordem moral e maniqueísmo pedagógico, potencializadas por molduras paratextuais. Os resultados revelam um regime de domesticação que preserva elementos perturbadores apenas quando utilizados pedagogicamente, evidenciando tensões entre tradição oral e expectativas contemporâneas sobre conteúdo infantil.