FEMINICÍDIO NA NOTÍCIA: Práticas Jornalísticas e Produção da Violência Simbólica de Gênero
Palavras-chave:
Feminicídio. Jornalismo. Violência SimbólicaResumo
Este artigo analisa como práticas do jornalismo produzem violência de gênero na cobertura de feminicídios, a partir de três notícias do portal G1 Pernambuco publicadas em 2024. Com base em uma abordagem feminista e interseccional e na Análise do Discurso, investiga-se como rotinas profissionais, critérios de noticiabilidade e a ideologia da objetividade estruturam esses enquadramentos. Os resultados indicam a centralidade da lógica da “ronda”, do foco no impacto e na violência, do valor-notícia da proeminência e da dependência de fontes policiais. Esses elementos produzem coberturas episódicas, hierarquizam vítimas e limitam a compreensão do feminicídio como fenômeno estrutural. Observa-se que a nomeação do crime e o grau de contextualização variam conforme a inteligibilidade social do caso, privilegiando feminicídios íntimos e marginalizando os demais. Defende-se a revisão dessas práticas e uma mudança ética, política e epistemológica no modo de fazer jornalismo.