A INVENÇÃO DA NATUREZA DESDE A IMAGEM: disputas estéticas e científicas em Floresta Virgem do Brasil
Palavras-chave:
Cultura Visual, Colonialidade, PaisagemResumo
Este trabalho analisa a gravura Floresta virgem do Brasil (1816), de Conde de Clarac, como imagem paradigmática na formação da cultura visual do início do século XIX. Produzida no contexto da Segunda Missão Artística Francesa e legitimada por naturalistas como Alexander von Humboldt, a obra combina convenções neoclássicas, saberes iluministas e projetos civilizatórios para formar a noção de Natureza ordenada e inteligível ao olhar europeu. Amplamente difundida, a imagem colaborou na conversão da floresta tropical americana e das populações indígenas em elementos de uma paisagem classificável, contribuindo para a dissimulação de violências coloniais. Propõe-se uma leitura contra-hegemônica que reinscreve a obra em um campo estético e científico em disputa.