DA EXCURSÃO AO ARQUIVO: Notas sobre a produção da alteridade nas imagens das expedições do Instituto Oswaldo Cruz (1911-1913)
Palavras-chave:
Cultura visual, Expedições científicas, Arquivo, Jacques Rancière, Tina CamptResumo
Este artigo analisa o arquivo fotográfico das expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz (1911-1913) como dispositivo de cartografia biopolítica. Fundamentado no olhar clínico e no regime de saber-poder (Foucault), investiga-se como a fotografia operou como ferramenta de taxonomia visual, consolidando o binarismo entre um Brasil “moderno” e um “arcaico e doente”. Defende-se que, embora forjadas sob finalidade confiscatória, as imagens possuem uma dimensão de indecidibilidade que pode subverter o enquadramento institucional. Para tanto, mobilizam-se as noções de trabalho da imagem (Rancière) e a escuta das imagens (Campt) para identificar frequências de recusa e desarranjos na partilha do sensível. Conclui-se que o descompasso entre o “dizer” das legendas e o “ver” das presenças institui desarranjos, onde a subjetividade confronta a mirada institucional.