Negacionismo como Recusa do Outro: O Imaginário Colonial em Cortina de Fumaça
Palavras-chave:
Negacionismo, Extrativismo, Brasil Paralelo, Imaginário Colonial, IndígenasResumo
O negacionismo ambiental costuma ser tratado como desinformação ou rejeição da ciência. Este artigo propõe compreendê-lo como formação afetiva, moral e colonial orientada à preservação de um imaginário extrativista. Com base em leitura difrativa inspirada em Karen Barad e em técnicas de rastreamento de imagens, analisamos o documentário antiambientalista Cortina de Fumaça, da Brasil Paralelo. O filme desloca o debate sobre desmatamento e crise climática para um pânico moral em torno do “infanticídio indígena”, deslegitimando epistemologias indígenas e enquadrando o ambientalismo como conspiração global. Ao reduzir a pluralidade dos povos à figura homogênea e estereotipada do “índio”, atualiza hierarquias coloniais e naturaliza o desenvolvimentismo extrativista. Mais do que disputar dados, o negacionismo opera como recusa coletiva da alteridade e como estratégia de estabilização de modos de vida ecologicamente insustentáveis.