A fabricação bolsonarista do “fantasma do gênero” como o novo “perigo vermelho”

Autores

  • Allan Santos

Palavras-chave:

Bolsonarismo. Fantasma do gênero. Perigo vermelho. Anticomunismo. Marxismo cultural

Resumo

O artigo analisa como o bolsonarismo fabrica o “fantasma do gênero” como o novo “perigo vermelho”, reatualizando a tradição anticomunista brasileira nas guerras culturais do século XXI. Com base no conceito formulado por Butler, em diálogo com Laplanche, investiga-se como o “fantasma do gênero” é convertido em ameaça psicossocial capaz de condensar e deslocar ansiedades difusas, operando como dispositivo privilegiado de mobilização política – especialmente potente em contextos eleitorais. O corpus reúne 58 pronunciamentos parlamentares (1991-2018) e 66 postagens de Bolsonaro no Facebook (2013-2018). A análise organiza-se em dois eixos interpretativos: (a) a infância como operador fantasmático privilegiado e (b) o “fantasma do gênero” como metonímia da dissolução nacional. Sustenta-se que o bolsonarismo desloca a figura do inimigo comum do campo econômico para o antropológico, legitimando projetos autoritários de poder sob a retórica da proteção da infância e da soberania nacional.

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Publicado

2026-06-08