SERRAS DA DESORDEM E YÕG ÃTAK, MEU PAI KAIOWÁ: Entre a Autocrítica Moderna e a Prática Cosmológica
Palavras-chave:
Utupë 1. regimes da imagem 2. Cinema indígena 3Resumo
Este ensaio compara Serras da desordem (2006), de Andrea Tonacci, e Yõg Ãtak: meu pai, Kaiowá (2024), de Sueli e Isael Maxakali, Luisa Lanna e Roberto Romero, a partir de um eixo epistemológico e ontológico. Mais do que dois filmes sobre reencontro, trata-se de dois regimes de imagem e duas posições históricas diante da violência estrutural brasileira. Enquanto Tonacci opera sob o signo do limite da representação, assumindo a impureza formal como resposta ao trauma, o cinema Maxakali desloca a questão ao afirmar a imagem como prática interna de continuidade. A noção de utupë, tomada como operador conceitual, permite pensar a imagem não como mero registro ou prova, mas como força em circulação, aproximando a cosmologia indígena de certas lógicas do digital.