CRÍTICA, TECNOLOGIA E ARRANJOS SOCIOTÉCNICOS NA EDUCAÇÃO MIDIÁTICA BRASILEIRA: um olhar sobre organizações da sociedade civil e a perspectiva pedagógica do LEME
Palavras-chave:
Educação Midiática e Digital, Crítica, Sociomaterialidade, Plataformas DigitaisResumo
Este artigo analisa, no contexto da implementação da educação midiática e digital nos currículos brasileiros, as concepções de “crítica” e de tecnologia nas propostas do projeto EducaMídia (Instituto Palavra Aberta) e da disciplina Cidadania Digital (SaferNet Brasil). Analisamos seus materiais e parcerias institucionais com governos e empresas, como Google e Meta, argumentando que tais iniciativas se estruturam sobre três eixos: a compreensão instrumental e neutra da tecnologia; a centralidade da responsabilização individual na mitigação de riscos; e uma noção de crítica concentrada na análise discursiva, com pouca atenção às infraestruturas e relações de poder que configuram os ambientes digitais. Em contraponto, apresentamos a experiência do LEME como proposta pedagógica que articula materialidades, práticas e arranjos sociotécnicos, defendendo uma educação midiática que integre leitura de discursos e análise das condições técnicas e políticas.